quarta-feira, 12 de junho de 2013

Declaram-se abertas as hostilidades!

Já criei e matei um valente conjunto de blogues.
Já abri e fechei este blog um par de vezes!
Já fiquei mil vezes sem assunto de escrita!
Já tive e mantive outros interesses!
Já estiquei mais e menos o meu tempo!
Já senti muitas saudades do meu pequeno público e não consegui matá-las!
 
De vez em quando passo por aqui, releio um ou outro texto e sorrio com alguns. (Lembram-se do Padre Confessor e da Madre?) Depois, saudosamente, revejo os comentários e recordo-me de todos vocês: da Teresa, a gentil e omnipresente Teresa, a Teresa que telefona, a Teresa que sempre se lembra de mim, de nós; do Carapelho, bicho escamoso sem emenda, sempre com a língua afiada e apimentada; da AVOGI e a camadona de pulgas divertidas que traz com ela; da Red, a minha amiga vermelha paixão que detesta o facebook, mas está lá sempre; do Vício, o corroente vício; da Cantinho, sempre tão zen; do JJC do Muito Mar, o único mareante com pavor de morrer que conheço; da LivroBranco, sempre tão assertiva e com uma escrita tão bonita, mas tão insegura; da.....; do ..... 

Enfim, tenho saudades de vós e, portanto, declaro abertas as hostilidades! Vamos lá ver se isto vive!


 
PS. Apreciem a foto. Consegui, pela primeira vez, fazer esse efeito na água, coisa que almejava, ui, ui, há uns tempitos.

sábado, 24 de novembro de 2012

9, 8, 7, 6, 5....

contagem decrescente para o reinício.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Eu, ela e nós.

Janeiro, segunda-feira, sol aqui, chuva lá.

Saímos juntas, dia igual a outro, escola para mim, escola para ela. Não a mesma, mas outra. Melhor. Num sitio diferente.

Passava das dez, pouco, e ele esperava-nos. Eu, ela e ele, juntos. Tão juntos. O Convento, tão nosso e de Mafra, revisitando-nos.

A Ericeira dos reis, à uma, deu almoço às duas. Na tarde de chuva, o palácio da rainha, resguardou as queijadas de Sintra.

E eu e ela e o Convento e a Ericeira dos reis e o palácio da rainha fomos tão felizes naquela dia de chuva lá e de sol aqui.

E, afinal, lá, não choveu, nem cá!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu, em tempos dinossáuricos...



Nesta foto e segundo a senhora minha mãe porque eu, por mais voltas que dê à alembradura não me consigo recordar, andaria pela singela idade de 18 meses.
A minha mãe - senhora de farta cabeleira - sofria, ora silenciosa, ora não, mas sempre desesperadamente, pelo facto de o seu riquinho e único bebé sofrer de um mal de difícil ou mesmo nula resolução, comummente chamado despovoamento capilar.
Eu, desconhecedora do porvir (e da melena subsequente) entretinha-me, despercebidamente, a dar cabo do pato de borracha, mientras miraba con mirada de ángel a mi madre.
Não sei se a ideia foi minha ou da minha excelsa madre, mas, como podeis reparar, trajava já um vestidinho de folhos, quizás uma antecipação convicta do meu futuro profissional de sevillana ferrenha.
Hasta siempre, guapos!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

De outros tempos I






Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, obviamente, as publicidades.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A minha avó num tubo de creme


A minha avó nasceu 11 anos antes da criação deste creme. Apesar disso, este creme não seria a mesma coisa sem a minha avó dentro dele.

Recentemente a marca voltou a relançar o produto e eu comprei-o porque me lembrava ela. Desde então, os três cumprimos juntos um ritual meticuloso: eu esfrego-o em mim, ele cheira-me a ela e ela sorri-me.

E por momentos somos imensamente felizes.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Nice to meet you

Imagem retirada da net / Música: Nice to meet you by Yanni

Sonhei-te quando ainda não te sabia. Fui as cordas do teu violino, vibrando de prazer ao teu toque. Fui uma escala musical e soubeste-me de cor. Fui a rosa que prendeste no cabelo e de onde aspiraste o delicado perfume. Fui o espartilho que te envolveu a pele e comandou o percurso dos teus seios.

Hoje, sou todas as lembranças que ainda não tive de ti.

Muito prazer em conhecer-te, miúda.




NOTA: o blogue termina, propositadamente, com esta publicação. Foi um prazer conhecer-vos e partilhar convosco tantos pedacinhos de mim.

sábado, 10 de julho de 2010

Dançamos?

Imagem retirada da net


Abre-se a porta. Baila no ar uma música suave. Um perfume almiscarado desperta-me para a sua presença. Recostada nas almofadas do leito, ela abre, lentamente, os olhos. Observa-me. Observo-a. O parco e diáfano tecido das suas vestes, revela-lhe as formas perfeitas e a pele leitosa. Passo pela jarra e colho uma rosa branca. Aproximo-me. Olho-a nos olhos e percorro-lhe os finos traços com a flor. Prende-a com a boca. Ri-se e sacode os longos cabelos negros, naquele gesto já tão habitual. Cresço por dentro. Estende-me as mãos. Estendo-lhe as mãos. Enlaço-lhe a cintura e aperto o seu corpo contra o meu. Danças comigo? - pergunto-lhe, sussuradamente. Ela suspira e acompanha-me na dança. A excitação do momento conduz-nos os lábios, que húmidos, trilham nos corpos estradas de nós e cresce-nos um fogo que se espalha por todo o quarto.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Não mais voltarei a amar

Foto retirada da net

Olhou-se de cima a baixo. Reviveu o seu corpo, outrora delineado e perfeito. Observou as suas mãos, antes, de dedos longos e finos e agora, deformadas e manchadas pela idade. Esboçou um esgar que lhe avivou ainda mais as rugas e naquele dia jurou matar o desejo que ainda vivia dentro de si.

Também já não importa, tive o meu tempo – pensou.

Como se fora um álbum, recordou as fotos das emoções bonitas que vivera. A vida correra-lhe a gosto. Amei e amaram-me muito. Não preciso de mais – constatou.

Mas porquê esta luxúria oculta que teima em subir por mim e se abriga, ainda, neste corpo gasto. Porquê esta vontade de vida? – perguntou-se.

Às vezes, nas noites mais solitárias, imaginava um roçar breve no pescoço, uma carícia ousada nas virilhas, um corpo quente junto a si e desejava que um homem lhe desbravasse as montanhas, secasse os rios, abrisse os mares e navegasse com ela.

Os homens da minha idade não são bons marinheiros e os que restam procuram sereias. Não mais voltarei a amar – decidiu, peremptória.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Adeus


Enquanto esperava por Baltasar, Blimunda mantinha um blogue. Um blogue feito de pedacinhos. Pedacinhos de humor, pedacinhos de dúvida, pedacinhos de amizade, pedacinhos de tempo, pedacinhos de vida.

No blogue da Blimunda intuíram-se caracteres, revelaram-se temperamentos, desconhecidos tornaram-se amigos e estabeleceram-se cumplicidades.

Um dia, Blimunda cansou-se da espera e do blogue. Levando nos olhos a verdade e a essência das coisas, entrou na passarola e percorreu os céus, procurando Baltasar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Viver despenteada

Decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é bom, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o rosto, enruga.
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...

Fazer amor - despenteia
Nadar - despenteia
Pular - despenteia.
Tirar a roupa - despenteia.
Brincar - despenteia.
Dançar - despenteia.
Dormir - despenteia.
Beijar com ardor - despenteia.

É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide
andar na montanha russa, que aquela que decide não subir.
Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres: entrega-te, come
coisas gostosas, beija, abraça, dança, apaixona-te, relaxa, viaja,
salta, dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para
ficares linda, arranja-te para ficares confortável, admira a paisagem,
aproveita, e acima de tudo: deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que precises de te pentear de novo...



Nota: tenho cá uma certa impressão que corrigir exames nacionais também despenteia. Deve ser de tanta vez pôr as mãos à cabeça!!

Recebido via email.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Chocante

Uma das maiores empresas de marketing do mundo, resolveu passar uma mensagem para todos, através de um vídeo criado pela TAC (Transport Accident Commission) e que teve um efeito drástico na Inglaterra.

Depois desta mensagem, 40% da população da Inglaterra, deixou de usar drogas e de consumir álcool pelo menos nas datas comemorativas. Nós ainda não temos este tipo de iniciativa aqui em Portugal, mas temos os mesmos assassinos à solta.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Para terminar



Caríssimo Carapau


Foram sete meses certinhos, sem (literalmente) tirar nem pôr. Vim de lá de todas as cores e com mais do dobro do tamanho. Por todo o lado para onde me virava, havia sempre algo que me impedia o alívio. Não querendo incumprir o estabelecido e correr o risco de ser comparada ao povo Camussumbe, até consultei um afamado médico, procurando uma solução para o meu problema.
Depois de muita investigação, disse-me que nada podia fazer por mim. Ainda se fosse uma doênça na bichiga... mas não era e ele, essas partes do corpo não tratava.
Se algum dia fores a África, não hesites em consultar o afamado cientista.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mas afinal onde é que se pode?



Se não se pode na praia, se não se pode no mato, se não se pode na casa de banho, AFINAL ONDE É QUE SE PODE?


NOTA: Abrir a foto para ler melhor o que está escrito no cartão. Na foto está o maridinho que, numa pose sofredora, reza aos anjinhos por uma luz (ou será por um penico?).

domingo, 30 de maio de 2010

Proibido "arriar o calhau"


Nas minhas primeiras andanças por terras africanas, espantou-me o teor de certas tabuletas que avisavam, de forma mais ou menos escatológica, os locais certos ou proibidos para o povo se aliviar.


Ainda que devidamente avisados, com placares afixados em árvores, paredes, postes e outros sítios bem visíveis, parece que o pessoal continuava a prevaricar, obrigando os donos de alguns terrenos, que não gostam deste adubo ecológico, a optar por métodos mais dissuasores.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Acerca da diferença

Vi num blogue de uma mãe de um filho deficiente, do qual não revelo o link por não querer causar quaisquer constrangimentos, a seguinte frase:

“o meu filho é a melhor coisa que me aconteceu e, se me dessem a escolher, não quereria ter outro”, referindo-se ao seu filho portador do síndroma de asperger, um dos muitos géneros de autismo.

Já eu, mais inconformada, não vejo as coisas dessa maneira. No meu ponto de vista, a chegada de uma criança deficiente é sempre uma experiência traumática, susceptível de alterar o estado emocional dos membros da família. Num primeiro momento, a família vivencia um estado de perda ou “morte”, já que a expectativa do nascimento do bebé idealizado é desmanchada pelo encontro com o bebé real. Esse momento é recheado por sentimentos de tristeza, decepção, inferioridade e revolta, levando a família a uma incompreensão da situação vivida.

A partir daí torna-se necessário, para que se possa aceitar o filho real, viver o processo de luto por aquele filho “perdido”. Dependendo de cada um, das suas próprias contingências individuais e familiares, este estado pode estender-se por muito tempo. Quando, por fim, se aceita o inevitável, a família é lançada para um mundo de incertezas e inseguranças. Depara-se com o impacto da rejeição das pessoas com relação à deficiência do seu filho e sofre com a curiosidade manifestada pelos olhares, comentários e atitudes, apercebendo-se que a sociedade não aceita e não oferece espaço ao diferente. Vivencia a culpa por ter gerado uma criança deficiente e também pelos sentimentos e atitudes de rejeição para com esse filho.

Embora a família procure apoio nos profissionais de saúde, muitas vezes não recebe as informações necessárias acerca da deficiência do seu filho, pois nem sempre é possível determinar a causa exacta. Não as recebendo, instala-se um ainda maior sentimento de descrença, frustração e impotência.

Ainda voltando à citação da mãe que refiro no inicio do texto, se há aspectos positivos na situação, eu não os consigo ver. Não trocaria o meu filho, porque é meu, faz parte de mim e gosto dele. Mas, contrariamente à outra mãe, não foi a melhor coisa que me aconteceu e, se me dessem a escolher, querê-lo-ia, sim a ele, mas, pelo bem de todos, de uma outra maneira.

sábado, 22 de maio de 2010

«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce»

Há três espécies de gente: os que apenas sonham, os que concretizam o que sonham e os Velhos do Restelo. Admiro os que, para além de sonhar, materializam os seus propósitos, por mais megalómanos que sejam.

Neste momento, tenho um amigo a percorrer África, de bicicleta. O seu sonho é fazer os cerca de 6000 km que distam entre Luanda – Maputo. Como companhia leva apenas a sua dose de loucura, um ipod, uma máquina fotográfica, 25 kg de artigos de primeira necessidade e, claro, a bicicleta.

Num excelente blogue, que vai actualizando à medida que lhe é possível, relata, na primeira pessoa, as suas peripécias. Além de uma África real, bem documentada por fotos e palavras, podemos ver, acima de tudo, o espírito de um empreendedor. Estivéssemos nós no tempo dos Descobrimentos e ele seria, seguramente, o capitão da primeira caravela!
Deixo o link do blogue em questão (Luanda-Maputo by bicycle). Devido à sequência cronológica, os primeiros textos a ler deverão ser os mais antigos.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

I like the way you move




Esta senhora, apesar de ser já SEMINOVA, move-se com tal elegância, graça e ligeireza que me ponho a pensar como seria ela quando era MESMONOVA.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Beijos, avó


Foi, paulatinamente, recuando no tempo e deixando de conhecer as pessoas que amava. Antes de se recolher a um estado quase vegetal, contou-me, como se o fizesse a uma amiga adolescente, a história de um rapaz com quem mantinha um incipiente namoro. Obrigando-me a jurar que mantinha o segredo, confidenciou-me que se encontravam na fonte e que já o tinha beijado. Inventou-me um nome e disse-me adeus. Chamei-a pelo seu e disse-lhe também adeus. Despedimo-nos para sempre. Ela da amiga, eu da avó que tinha já sem ter.

Lembro-me dela, aliás, lembro-me muito dela. Chamava-se Joaquina e contava-me histórias que tinha aprendido de cor. Jogava comigo às cartas e fazia batota. Pela manhã iniciava um ritual a que eu assistia deliciada. Começava por lavar a cara com muita água e sabão, penteava os longos cabelos e humedecia-os com um pouco de “Restaurador Olex”, embranquecia os dentes com casca de pêra, gorgolejava um pouco de aguardente para afastar o mau hálito matinal e, como remate final da toilete, esfregava meticulosamente a cara com creme “Benamor”.

Filha de um professor, era a única dos sete irmãos que não sabia ler. Na idade em que deveria ter começado a aprendizagem, calhou-lhe na rifa a tarefa de ir ajudar uma tia a cuidar dos filhos gémeos. Quando regressou, achou-se demasiado adulta para começar e dedicou-se a aprender os lavores próprios da classe feminina. Ao longo da vida, nunca se perdoou por essa opção.
Era uma mulher expedita, rápida nas contas e com bom olho para o negócio. Um dia, notando-lhe algum desassossego de alma, perguntei:

- Avó, gosta de morar aqui?
- Esta herdade é grande, mas eu sou maior do que ela - respondeu-me.

Espero que haja muito vento no céu, para que a sua nuvem viaje muito.

Beijos, avó.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ad eternum

Invariavelmente, os meus pais e eu, passávamos cerca de um mês por ano nas casas dos meus avôs paternos e maternos. Ambos, nessa fase da sua vida, viviam em montes alentejanos à lonjura de 4 km de quaisquer outras almas viventes da minha faixa etária.

No mês anterior à fatídica ida, esperava a chegada da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e escolhia criteriosamente seis livros - o máximo permitido - pelo peso. (Ainda hoje, e devido ao actual astronómico preço dos livros, um dos critérios que sigo é esse). Disciplinadamente, obrigava-me a adiar a leitura até estar instalada na casa dos avós.

Ainda que tentasse ler devagarinho, quase sempre a leitura acabava na segunda semana. Depois começava o suplício.

Nenhum dos meus avós tinha luz eléctrica, embora ambos tivessem televisão. No entanto, a caixinha mágica, por funcionar a bateria, e por as baterias serem de consumo rápido e de difícil transporte, era um bem que apenas servia para ver o telejornal, programa que pouco ou nada me interessava.

Nos dias depois dos livros, as horas corriam sempre demasiado devagarinho. Procurava dribla-las apanhando malmequeres; comendo romãs e, simultaneamente, fazendo apostas comigo mesma sobre a inevitabilidade de deixar, ou não, cair os bagos; procurando nos céus seres alienígenas e no desenho das nuvens as figuras mitológicas que conhecia. E durante todo o tempo do tempo, imaginava a diferença entre ter ou não ter um irmão. E o tempo, rindo-se de mim, tardava ainda mais as suas lides.

Depois do tempo dos livros, o Alentejo convertia-se em desassossego, em solidão, em saudade dos amigos, em desespero por voltar à civilização. Detestava-o.

Hoje continuo a detestá-lo, mas gosto de pensar que há aspectos, coisas na vida, que nos pontapeiam uma ou duas vezes e que nos acompanham ad aeternum. Assim posso dizer que tenho um trauma de infância que me faz detestar a minha terra. Já não parece tão mal e, além disso, os traumas estão na moda.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Manutenção

Há gajos que nascem sem sorte! Esta Calendas obriga-me a vir à casa dela, regar-lhe as flores, dar comer ao cão, ao gato, ao periquito, enquanto se diverte no bem bom. Logo a mim, que mal me posso mexer debaixo de tanta alergia e que corro o risco de asfixiar debaixo desta nuvem de cinzas. Não vá ela reclamar e ainda ter de a ouvir, já lhe apanhei as alfaces todas, lavei-as e meti-as no frigorífico. Sim, porque conhecendo-a como a conheço, ainda me ia obrigar a escová-las todinhas se lhes topasse uma partícula de cinza. Raios parta a mulher!

À vinda para cá, passei numa drogaria e comprei uma máscara para me proteger contra as manhosas das cinzas, mas não sei se será eficaz. Nas indicações só se falava em gás mostarda e pimenta, em cinzas nada.

De qualquer maneira, ainda gostava de saber quem é que autorizou à tal da nuvem o acesso ao MEU espaço aéreo.

E olhe lá, ò Sr. Eyjafjallajökull, tome qualquer coisinha porque isto de estar sempre a vomitar e a arrotar tem que se lhe diga.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vacances

Vou de vacances do blogue por uns dias porque valores mais altos se alevantam. O Lipes prometeu que me ficava a tomar conta do gato, do cão e do piriquito, mas não contem muito com isso porque ele é assim um bocado pró ocupadito (leia-se preguiçoso) e as promessas leva-as o vento, com uma pinta desgraçada.

Quando chegar, espero ainda ter gato, cão e demais criação. Espero também ter ainda o sofazito para recuperar da viagem.

Inté

domingo, 2 de maio de 2010

Impressões sofarianas

Ai se não tivesse prometido um lugar aqui no sofá para o Lipes...
Punha mais uma almofada...
Esticava mais as pernas...
Batia uma sorna com mais estilo, mas não vá ele chegar e apanhar-me a roncar...
Afinal o Lipes fica com o lugar para quê?
Nunca se senta...
Será que sou demasiado espaçosa?

Vou pôr uma almofada no lugar dele... sempre dá para pôr os pés... se ele chegar de repente dou-lhe um pontapé (à almofada, claro) e finjo que não é nada comigo.

sábado, 1 de maio de 2010

Que seca

Estive anos sem telefone fixo e a verdade é que não lhe senti falta nenhuma. Há pouco tempo, devido a uma mudança de operador de internet, caí na asneira de voltar a ser assinante da PT.

Apenas duas pessoas deveriam ter o meu número, porque apenas a essas lho comuniquei. Parece que os senhores da PT não pensam assim e além de me telefonarem por dá cá aquela palha, fornecem o meu número a meio Portugal!

Recebo chamadas da PT a perguntar se estou contente com o serviço. Recebo chamadas de empresas de crédito a "oferecerem-me" cartões. Recebo chamadas do Manelito mais velho a propósito de nada. Recebo chamadas que não quero e que não solicitei. Já pensei até em colocar aquele autocolante que diz "Publicidade não" no telefone, mas pareceu-me que eles não o iam ver. De qualquer maneira, estou farta!

A partir de agora atenderei assim e pode ser que me larguem a braguilha:

- trim, trim.
- Istoou.
- Bom dia, posso falar com...
- A minha sinhora nã tá.
- Ai não, que pena. Quando é que posso voltar a telefonar?
- Nã sê, a sinhora tá a modus qui num barco, chamado nã sê quê, a fazeri uma excursão.
- Mas não sabe quando volta?
- A minha sinhora nã me conta assim a vida toda dela e eu tamém nã pregunto. E olhi, tenho que ir esfrigar as panelas, q'ela gosta de tudo a leziri, por isso tenha uma munto boa tarde.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Selos; Sê-los; Celos (ciúme em espanhol)

Vou-me deixar de esquisitices e aceitar os selos que, graciosamente, me ofereceram. Os que me conhecem de blogues anteriores sabem que normalmente não entro nesta corrente dos selinhos, mas hoje devo estar num dia mesmo bom.

Ora o primeiro selo veio da AVOGI (e as pulgas). Ora diz ela que este blogue é muito foto. Bom há gente assim, com gosto estranhos, mas "prontos", cada um come do que gosta.




Como não há bela sem senão, sim, porque isto afinal não é de forma graciosa, parece que havia as seguintes exigências:

1 - Colar o selinho no blogue.

2 - Citar as 3 lembranças mais fofas da minha infância.

3- Indicar seis blogues fofos.

Bem, relativamente à primeira exigência, quero aqui deixar expresso que me custou muito satisfazê-la. Primeiro não sabia que cola usar para colar o dito cujo, pensei em super cola 3 mas achei que podia correr o risco de nunca mais sair. Pretendi optar pela cola UHU, por temer um possível arrependimento na colagem, mas não encontrei o raio da cola em casa. Depois de muito pensar, decidi colar à moda antiga, com cuspo, pois então. Pronto, tá colado!

2 - Relativamente à lembrança mais fofa... está aqui um caso sério... lembro-me da almofada, do cobertor, do cachecol vermelho... do casaco felpudinho...

Se calhar não era esta a lembrança que se pretendia. Vou pensar de novo...

Ah, o colo da mamã, o cheirinho do pão feito pela avó materna e a minha chupeta (lembro-me de a encontrar aos seis anos e pregar-lhe umas valentes e saudosas chupadelas).

3 - E agora os famigerados donos dos blogues fofos. Ora deixa cá ver...

Red Nails (sim, porque ela adora selos e é tão fofinha, lol)
Cantinho da Casa (pela paciência em vir cá de vez em quando)
Beijinhos Embrulhados (já que estamos numa de troca de galhardetes)
Carapau (ainda que me vá rogar três pragas, mas as pragas dele não assustam ninguém)
AVOGI (porque está de castigo, obviamente)

E pronto, ainda que não sejam os 6 pretendidos, não desejo assim tanto mal ao restante pessoal que me visita.


O segundo selo veio no correio da Teresa dos Beijinhos Embrulhados. Diz ela que eu sou um exemplo para ela. Tadinha, é por isso que ela é assim. Pudera, com exemplos destes!





Bom, estou de acordo com isso de ser guerreira. No meu nome, que consta de quatro apelidos, os do meio são Guerreiro de Jesus. Creio, portanto, que andei na Guerra Santa, por isso está bem!

Mais uma vez havia umas tantas regras para cumprir:

1 - citar dois defeitos
2 - citar duas qualidades
3 - indicar uma música que seja ou esteja a ser a trilha sonora da minha vida
4 - uma frase que eu use como mantra.
5 - indicar seis bloguistas.


Quanto aos defeitos, depois de muito pensar e repensar, e não ter achado nenhum, decidi que tenho apenas uns defeitinhos: podia ser ainda mais bonita e jeitosa.
Qualidades, ai sinhor, tenho tantos predicados que nem sei. Pronto, modéstia à parte, faço crochet muito bem e pinto maravilhosamente (nem sei como não abro uma loja!).
Relativamente à questão da música, estou indecisa entre as imensas do saudoso Zé Cabra e as do Tone Carreira. Acho que fico mesmo com o José Cid, embora os santos da casa não façam milagres (mora a 2 km da minha pessoa) na sua "Nasci para a música".
Eu não uso mantras, uso mantas, lençóis, fronhas e quando estou mais moderna, um edredon. Por isso deve ser erro de quem inventou este selo pedir isto da tal mantra.
Quanto aos bloguistas, que agarre o selo quem o quiser, mas o mais certo é que fujam dele a sete pés.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

O pesadelo

Recebido via email.


No pesadelo, acordo, olho-me no espelho e descubro que sou vesgo. Procuro freneticamente nos bolsos, para ver minha fotografia no Bilhete de Identidade, para ver se sou realmente aquele. Acho um passaporte e descubro.... sou italiano...
Não pode ser, meu Deus!!!
Sento-me inconsolável numa cadeira. Mas não é possível!! É uma cadeira de rodas, o que significa que, além de ser vesgo e italiano, sou também deficiente físico!
É impossível, digo para mim mesmo, que eu seja vesgo, italiano e deficiente físico...
- 'Amoooooor!', grita uma voz atrás de mim. É o meu namorado.. Porra! Sou também maricas...!
- 'Foi você que usou a minha seringa?'
Ó Deus! Vesgo, italiano, deficiente físico, maricas e se calhar seropositivo!
Desesperado, começo a gritar, a chorar, a arrancar os cabelos E...
... Nãooo!!!!!
Sou careca!
Toca o telefone. É meu irmão, que diz:
- 'Desde que nossos pais morreram, tu não fazes outra coisa que não seja entupires-te de drogas e vagabundeares os dias inteiros! Procura um emprego, arranja algum trabalho!'
Que merda, descubro que também sou desempregado!!!
Tento explicar ao meu irmão que é difícil encontrar trabalho quando se é vesgo, italiano, deficiente físico, maricas, viciado, talvez seropositivo, careca e órfão, mas não consigo, porque....
Porque sou gago!!!!
Transtornado, desligo o telefone, com a única mão que tenho, e com lágrimas nos olhos, vou até a janela olhar a paisagem. Milhões de barracas ao meu redor...
Sinto uma punhalada no pace-maker: além de vesgo, italiano, deficiente físico, maricas, viciado, talvez seropositivo, careca, órfão, gago, desempregado, maneta e cardíaco, vivo também numa barraca...
Começo a ficar indisposto e a sentir um calafrio dirijo-me ao guarda-fato para apanhar um casaco, e para minha surpresa, quando abro a gaveta encontro uma camisa do...Sport Lisboa e Benfica.
Aí já é sacanagem...
Entro em desespero, pois além de vesgo, italiano, deficiente físico, maricas, viciado, talvez seropositivo, careca, órfão, gago, desempregado, maneta, cardíaco, vivo também numa barraca... e... Sou adepto do Benfica?
Puta que pariu!!!!
Nesse momento, o meu namorado regressa e diz:

- "Amooooooor ! vamos, senão chegaremos atrasados ao Conselho Nacional do Partido Socialista".


Desmaiei.....

sábado, 24 de abril de 2010

Perdoai-nos senhor

A traição é, provavelmente, um dos grandes dramas dos relacionamentos. Além de enfeitar, de forma mais ou menos bucólica, o frontispício de cada um, serve também como musa para diversas modalidades artísticas, todas elas ao melhor estilo da “dor de cotovelo”.

Segundo os estudiosos, a infidelidade conjugal pode ser classificada segundo três tipos:

- a traição como afirmação da feminilidade ou da masculinidade. Creio que será o caso dos traidores compulsivos que a todo o momento conquistam e descartam.

- a traição como desejo de novidade para vencer o tédio do casamento. Quanto a este campo, acrescento que já ouvi dizer que “Novidades só no Continente”, por isso o resto do território está livre de perigo.

- a traição como insatisfação afectiva. A senhora D. Madame Bovary do Flaubert já devia sofrer deste síndroma porque andava lá às voltas com uma tal duma insatisfação, que a compelia na busca de um amor romântico que não existia em parte nenhuma. Mas a senhora D. Madame era uma mulher de garra e não desistia de encontrar o seu gral.

Diz-se também por aí que se uma mulher quiser, será muito difícil a um homem resistir-lhe. Será? Acho esta afirmação demasiado forte, porque me parece que um homem não é apenas um pénis, ainda que essa parte anatómica ocupe demasiado espaço nas ligações sinápticas do seu cérebro.

De qualquer maneira, a traição é sempre deflagradora de sentimentos desagradáveis. Tiro o chapéu a quem consegue fazer deste amargo de boca, um limão e do limão uma limonada e depois engoli-la com muito gelo e açúcar.

Momentos

A vida é feita de momentos, alguns guardamo-los toda uma vida. Há também outros de parca importância que rapidamente passam a murmúrios no nosso cérebro e desaparecem.

Um momento marcou a minha tarde e acabo de me aperceber que me tem ensombrado o espírito durante as últimas horas.

Algumas palavras trocadas num chat na internet geraram a confusão. É curioso como a palavra escrita pode ser poderosa e facilmente assumida, verosímil, e outras vezes tão frágil e desprovida de força. Reagimos às palavras, interpretamo-las de forma inconsciente até formarem alguma sequência de sentidos que facilmente imaginamos serem proferidos pelo nosso interlocutor. Algumas são banais e tão pouco nos afectam que rapidamente as esquecemos. Outras tocam-nos profundamente e gravamo-las religiosamente no nosso ser para delas nos voltarmos a servir. E voltamos a ouvi-las na nossa cabeça como se tivessem sido proferidas há instantes.

As palavras, que hoje proferi, transformaram-se pela rede, tendo afectado o meu interlocutor de uma forma que não era intencional. O mal entendido ficou esclarecido, mas as sensações, inconscientemente e involuntariamente provocadas, ficaram. Não há forma de apagar esses momentos, por muito breves que tenham sido e por muito bem esclarecida que tenha sido a situação.

Tratou-se apenas de uma confusão mas tal desencontro provocou sensações contraditórias, mesmo que durante alguns instantes apenas.

Outros momentos colocarão este em algum recôndito e obscuro lugar do nosso cérebro.

Mudanças

Seguramente que os que me visitam já não estranham as modificações a que este blogue está sujeito. Muda de roupa e de nome consoante a música dos meus passos que, neste momento, andam incertos por aí. Andarão, também, por aqui, outros passos que não os meus, mas que a mim (a nós) me (nos) acompanharão nesta caminhada momentânea que é a vida.
Novos momentos se avizinham, os momentos do LIPES.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Há gostos para tudo


Corria o ano de 1982, quando, devido ao trabalho dos meus pais, tivemos de mudar do Carregado para a Curia.

Quis o destino que eles alugassem casa aos que, posteriormente, viriam a ser os meus sogros. Estão a ver a festa, no andar de cima morava o que, mais tarde, iria ser o meu mais que tudo. No andar de baixo, morava a que, mais tarde, iria ser o mais que tudo dele. Mas este texto não reza sobre essa história, que deixarei para outra altura.

Os meus pais são originários do sul de Portugal, um do Algarve e outro do Alentejo, como tal têm alguns costumes diferentes dos da gente daqui, os bairradinos.

Nesta zona os caracóis abundavam porque apenas serviam de bucólico enfeite para as couves e demais seres amantes da fotossíntese. Um dia, depois de uma copiosa chuvada outonal, os ditos resolveram fazer uma maratona pela estrada fora. Eu e os meus pais, fanáticos e ambiciosos recolectores dessa espécie, metemos mãos à obra e apanhamos umas valentes sacadas. Depois da devida depuração, a minha mãe preparou o pitéu, montamos a mesa na pátio e fizemos um festim que até “mandava ventarolas”. Nesse entretanto, chegaram umas visitas para o andar de cima que, de soslaio, nos olharam muito espantadas. No dia seguinte corria pela aldeia inteira que os novos habitantes deviam ser muito pobrezinhos porque até caracóis comiam.

De uma outra vez, a propósito de um arranjo num armário da cozinha, mandou-se chamar um carpinteiro. Calhou chegar o profissional quando a minha mãe, diligentemente, preparava umas migas à moda do Alentejo. Pergunta ele:
- Vizinha, está a fazer comidinha para os cães?
- Estou, vizinho -responde ela, sorrindo.
-Os seus cães são uns sortudos – acrescenta ele – é que essa comidinha cheira mesmo bem!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O meu menino homem

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Hoje, Maria Teresa, o que escrevo é verdade.


Estou triste, cansada, desiludida. Hoje o meu menino homem teve um ataque epiléptico. Depois de um estrondo, fui dar com ele estendido no chão, a cadela ladrando desesperada, e o meu menino convulsionando e lutando inconscientemente contra a falta de ar. E eu impotente, sempre impotente. Antes cabia-me nos braços, hoje sou eu quem cabe nos braços dele. Antes pegava-lhe ao colo e deitava-o confortavelmente numa cama, hoje, só lhe pude amparar a cabeça, impedindo que se magoasse mais.


O meu menino nasceu bonito e de aspecto saudável. Eu, com 21 anos, desejei-o, escolhi-lhe o nome e planeei-lhe toda uma vida. Pouco meses depois, surgiram os primeiros sintomas de que algo estava mal. Seguiram-se anos de diagnósticos furados, muitos medicamentos errados e sonhos frustrados.


Na escola, o meu menino não lia, o meu menino não aprendia, mas era feliz, brincava e sorria. Hoje, com quase 23 anos, o meu menino homem podia ser qualquer coisa, talvez músico, talvez engenheiro (adivinhando-lhe os gostos). Hoje, o meu menino homem, pede-me que lhe arranje uma namorada loura, joga playstation e vê futebol.

Hoje o meu menino homem é autónomo nas coisas básicas, mas não sabe atravessar a estrada.
Hoje o meu menino homem depende de mim, amanhã será das irmãs.

Amanhã não estarei cá, mas ele sim e não perceberá porque o abandonou a mãe.

domingo, 18 de abril de 2010

Composições

Este texto vem a propósito de um post da Maria Teresa, a quem prometi uma explicação que não cabia num comentário.
Na Escola Primária não me lembro de fazer composições acerca das estações do ano, férias e demais torturas. Não sei se não as fiz, ou se não me quero lembrar delas.
Lembro-me de fazer composições sobre “Se eu fosse uma nuvem…”; “Se eu fosse um comboio…”; “Se eu fosse uma gota de água”.

No 2º ciclo, lembro-me essencialmente de desenvolver e terminar histórias. O professor lia parte de um determinado texto e a nós competia-nos a tarefa de o desenvolver. Lembro-me de nos rirmos muito acerca das aventuras mirabolantes que nos saiam da pena e que depois eram lidas para a turma.

Do 3º ciclo, não me lembro de grande coisa. Lembro-me de só me apetecer escrever sobre ficção científica e de quando não tinha tempo para acabar o solicitado, escrever “continua no próximo episódio” como se de uma série se tratasse.

Fiz duas vezes o décimo ano, uma delas com 15 anos e outra com 27. Nesse nível de escolaridade, por caricato que pareça, tive o pior e o melhor professor de Português. A pior, a do meu primeiro 10º ano, chamava-se Branca, talvez pela esperança ou fulgor que os pais viam nela, porque para mim era muito Negra. Lembro-me que em Janeiro nos pediu uma composição subordinada ao tema “A minha consoada”. Esmerei-me, sei que me esmerei e fiz uma composição onde da Consoada apenas aproveitei a data. Passados todos estes anos ainda me recordo que a história estava relacionada com alguém que não pôde ir passar a consoada com quem desejava porque foi surpreendido no caminho por espíritos, lobisomens e demais “sobrenaturalidades”.

Quando recebi a composição, vi, escarrapachadinho, assinadinho e tudo, um valente de um oito. Oito, porquê?, interroguei-me nada habituada a estas lides. Perguntei-lhe a razão e a professora disse-me que não tinha pedido um tema livre e que eu não tinha respeitado o tema. Respondi-lhe que, do meu ponto de vista, tinha cumprido o tema, só não me tinha era apetecido falar em filhoses e bacalhau. E que como não tinha incorrecções achava muito injusta a classificação obtida. O mais que consegui foi que me desse 10, a mim, eu, je, a precursora da Saga Vampiresca agora tão em voga.

De qualquer maneira esse foi um ano para esquecer, qual Midas, a senhora conseguia tornar tudo em que tocava intragável. Espero que já algum dia lhe tenham dito, ou que já tenha aprendido por si própria, que se os alunos GOSTAREM, APRENDEM. Está no ofício do professor o despoletar desse gosto.

sábado, 17 de abril de 2010

(Ainda) Meu amor

Lembras-te de quando me tocavas com os lábios molhados e quentes o ouvido e me sussurravas amor eterno? Lembras-te quando, pelas manhãs, me atiravas um beijo desde a porta do quarto e me dizias até logo, piscando-me o olho e prometendo-me o delírio? Lembras-te quando me dizias que eu era a única, aquela, a tal, a insubstituível? Lembras-te?

Lembras-te do dia em que deixaste de me atirar o beijo matutino? Lembras-te da última vez da tua pele ansiando pela minha? Lembras-te de te esqueceres de mim?

Lembro-me do dia em que chegaste mais cedo e eu, crente, pensei que vinhas por mim. Enrolaste apressadamente a vida de nós numa mala pequena e foste-te, não me deixando mais do que a tua intacta lembrança.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Contagem (depois da meia noite) crescente




Há quarenta e quatro anos, ao invés de uma estrela especial, uma valente trovoada anunciou a chegada de uma bebé magricela e chorona.

Essa ex-bebé, ex-magricela e ex-chorona decidiu que hoje seria o último dia em que inspiraria, por seu livre arbítrio, benzeno, nitrosaminas, formaldeído e cianeto de hidrogénio.

Além dos 22 anos em cada perna que já detém, a ex-bebé, ex-magricela e ex-chorona, decidiu que também queria ter a mesma quantia em cada braço. Posto isto decidiu submeter-se, desta vez, a uma contagem crescente, contando, daqui adiante, os dias em que essas substâncias estiverem ausentes.

E que as boas intenções não as levem os ventos! (e assim a ajudem os amigos da ex-bebé, ex-magricela e ex-chorona, incutindo-lhe responsabilidade, força de vontade e coragem. Ela conta também com eles.)


segunda-feira, 12 de abril de 2010

Caminhada em Sever do Vouga (Silva Escura)

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Euzinha, que costumo andar muito... de carro... e que a pé não dou mais do que os passos necessários para entrar no dito, decidi-me a arrastar a família e uma amiga para uma caminhada de 10,5 que acabaram por ser quase 13 QUILÓMETROS (o uso de maiúsculas deve-se ao facto de me terem parecido quilómetros muito grandes, por isso acho que se fossem medidos por mim, seriam, no mínimo, uns 25).

Ah pois! Às 10 da matina lá estávamos nós, no lugar acordado, munidos de "armas" (aguinha e paparoca) e bagagens, esperando pelos demais convivas. Pouco depois lá seguimos (tardiamente para o dia de sol que estava) e palmilhamos aquela serra danada, que parecia não ter fim.

No entanto, embora principiantes no desporto, conseguimos fazer os terroríficos quilómetros todinhos, sem direito a chamadas aos bombeiros, helicóptero de inem ou empurrões dos parceiros, mas com os bofes a saírem pela boquita em larga escala.

Hoje doi-me da pontinha do dedito grande do pé até às nádegas. (Esqueçam, esta parte não era para referir).
Hoje estou como se nada fosse e estou até a pensar em convidar a minha amiga para irmos dar uma voltinha ao Bussaco. Uma passeata ligeira de 20 km, mais coisa, menos coisa. As pernas o dirão!



sexta-feira, 9 de abril de 2010

Certas profundidades destes degraus

Hoje ao escrever um comentário acerca da Margarida Rebelo Pinto, saiu-me esta profundíssima frase:

Mais vale ler merda que não ler merda nenhuma.

E não é que é verdade?! Ao menos desenvolvemos o sentido crítico.

Da mesma forma este filosófico pensamento é válido para a escrita. Mais vale escrever merdas sem jeito que não escrever merdas nenhumas. É isso que aqui faço. Ao menos consulto o dicionário de vez em quando!


PS. Esquecia-me de dizer que faltam só 4.

Alberto, o descorçoado

A pedido de muitas famílias, aqui vai a triste história do Alberto, o vizinho da Idália (da Redzinha) depois do episódio das rosas encarniçadas.


Retirou da parede do quarto, com sumo cuidado, todas as fotos de Idália que, durante anos, lhe tinha tirado à socapa.

Embalou todos os objectos e envolveu meticulosamente as mobílias más frágeis com plástico de bolhas. Sentou-se no sofá e ligou à transportadora para, mais uma vez, conferir a hora da mudança.

Olhou, pela enésima vez, pela janela da sala esperando vê-la deslocar-se pela sua casa seminua, como era seu hábito. Nem um vislumbre da sua pessoa. Está na casa do gajo das rosas encarniçadas, pensou enraivecido. Parva de merda.

Procurou saber de cor tudo o que não queria esquecer, o seu rosto, o seu jeito agreste, a forma como mordia o lábio, o peito alto, o porte elegante a jeito de bailarina. Guardou na memória também a casa, a sala que via da sua, a roupa que esvoaçava no estendal, o cão irritante que, de dia, morava na varanda.

Sentiu remorsos das vezes que não a convidou para sair, das tantas vezes que se queixou das rosas oferecidas por outrem, mas não lhe ofereceu nenhumas, das vezes que se queixou do latir guinchado do cão.

Ouviu o toque da campainha anunciando a chegada dos homens da mudança e sentiu remorsos mas escolheu partir.

Carta a nós

Querida Teresa

Dizes-me tu, na tua última carta, que vais, por auto-gestão, tentando adentrar-te na escrita ficcionada. Desculpas-te, acrescentas que a tua formação está longe de ser de Letras e referes que tiveste péssimos professores de português. Dizes-me que já pensaste em inscrever-te num curso de escrita criativa mas, nesta altura da tua vida, a ideia de horários fixos agonia-te.

Eu, nem disso posso fazer desculpa. Sou de Letras e tive meia dúzia de professores excelentes, quatro dos quais de português ou de disciplinas relacionadas.

Comecei bem, do segundo ciclo lembro-me de um professor fabuloso chamado Mário Calçada. Gostei tanto dele que ainda hoje, passados tantos anos, lhe recordo o nome, a cara e algumas das aulas. Procurei-o, inclusive, no “Cara de Livro” mas, infelizmente, não o encontrei.

Mais tarde, já no 10º ano, tive outro professor de quem guardo excelentes recordações, Joaquim Jorge Carvalho.

Na universidade tive uma professora também de se tirar o chapéu, Ana Paula Arnault, que nos orientava nos meandros da Literatura Portuguesa I (contemporânea). Tive também o prazer de conhecer Camões, Gil Vicente e outros amigalhaços, pela mão de outro professor de excelência, Cardoso Bernardes.

O que tornava estes professores diferentes dos outros, não era a sua superior formação académica, era a forma como nos conseguiam transportar para dentro da literatura. Era o facto de trazerem a alma consigo, diferença colossal entre fazer as coisas por gosto ou por obrigação.

Nenhum destes professores de que falo me ensinou as técnicas da escrita criativa. O que estes professores conseguiram foi transmitir-me o gosto que sentiam pela literatura. Obrigada Caríssimos Senhores Professores.

Maria Teresa, não tendo tu o prazer e a sorte de teres tido professores destes, o teu auto didactismo é genial. Tiro-te também o chapéu e crê que teria gostado de ter sido tua aluna. Seguramente.

Até breve e espero notícias tuas.
Beijinhos (embrulhados ou não).

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Faltam 5

Começa agora a contagem decrescente.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Rosas encarniçadas

Ao ler a pincelada 348 da minha amiga Redzinha, ocorreu-me como veria o vizinho da Idália o episódio das rosas.

Ele (pensando)
Não há quem entenda as mulheres, raios as partam. Armada em importante. Quem será o gajo das rosas encarniçadas?

Ela (acerca das rosas cogitando)
Ele ama-me. Só pode. Tanta rosa vermelha. Vermelho é paixão. Mas porquê agora, passado tanto tempo?

Ele (descendo as escadas e cruzando-se com ela no patamar)
- Bom dia, Idália. Estás com um ar fresco.

Ela (desejando não se ter cruzado com ele)
- Bom dia, Alberto. Fresco? Só se for do frio, que não acaba.

Ele (esmiuçando)
- Tens uma florista por tua conta? É um ver se te avias de encomendas a chegar aqui.

Ela (da questão fugindo)
- É, gosto da casa enfeitada. Até logo, Alberto.

Ele (tentando)
- Um dia destes ainda te ofereço um ramo de rosas.

Ela (já subindo)
- Oferece-me agora nos anos.

Ele (descendo)
- Mas agora não fazes anos.

Ela (desconversando)
Então não faço, faço 30 que te aturo.

Ele (amuado, pensando)
Se não fosses tão boa… enfiava-te era as malditas encarniçadas num certo sítio.

Isso é que era!


Num país fervoroso fazedor de leis como o nosso, parece impossível que ainda não se tenha legislado algo impedindo os filhos de saírem do ninho antes dos 45 anos, no mínimo.

domingo, 28 de março de 2010

Histórias do arco da velha


Há coisas que é preciso esclarecer, outras é conveniente que fiquem guardadas.

Este blogue, independentemente da qualidade, tem apenas como função o simples exercício literário. O que aqui deixo não é mentira. É uma realidade deturpada. São coisas diferentes, mas não antagónicas. Se a muitos parece real, tanto melhor, é sinal de que o que escrevo é verosímil, um dos pressupostos da escrita. Isto não sou eu, sou eu escrevendo, já o disse anteriormente e repito.

Este blogue podia ser Sherazade a encantar o rei Shahryar. Podia ser Paulo e Virgínia a morrerem de amores. Podia ser o Manuel e a Maria que vivem a vida infelizes. Podia ser fogo e paixão, ódio e medo. Podia ser mil coisas se a mentora estivesse para aí virada. Por lhe faltar o traquejo e o harpejo, este blogue é apenas o que é, histórias.

A febre do Farmville à noite (e de dia também)

"O problema aconteceu na cidade de Plovdiv, na Bulgária, quando diversos conselheiros do conselho foram apanhados não a rever contas e analisar os problemas do município mas sim a plantar batatas e a enviar vacas cor-de-rosa como gift para os seus parceiros de Quinta FarmVille." daqui

Não me venham cá dizer que o Farmville não é jogo para pessoas cultas e bem posicionadas na vida. Eu vi logo, mal topei com o joguinho, que era coisa para mim, pessoa doutíssima. Agora, com tão ilustres vizinhos, é que não arredo pé do Cara de Livro, (como diz a minha amiga Redzinha) não vão eles, em vez de uma vaquinha cor de rosa, enviar-me um lugarzinho no parlamento. Sempre tinha mais tempo para jogar!

"As palavras são como punhais"

Eu:

as palavras escorrem-me da boca como uma torrente invernal.

Tu:

apanha-las, limpa-las e seca-las. Guarda-las na gaveta vermelha.

Eu:

arrependo-me delas e não quero que as guardes.

Tu:

abres a gaveta e pões-lhes um pacote de pó desumidificador, para que se conservem melhor. Um dia precisarás delas e quando delas já não me lembrar, tiras o pó de uma após outra e ofereces-mas de volta.

sábado, 27 de março de 2010

Degraus submarinos

Há dias em que penso que mais valia dormir todo o dia e acordar apenas no dia seguinte.
Nesse calendário, alinham-se os astros com o simples propósito de me lixar o juízo. Hoje, apetece-me bater as portas com uma força brutal e ir passar o resto do dia ao inferno. Não seria pior e talvez gozasse férias.

quarta-feira, 24 de março de 2010

O desacordo do acordo

Tirando o facto de não me terem pedido o meu acordo, eu nem estou em desacordo com o acordo ortográfico.

A minha língua tornou-se oficial por decreto do falecidíssimo D. Dinis das Naus a Haver. D. José também lá foi meter o bedelho para a tornar mais distinta do castelhano (abençoado seja, que me deu emprego). Em 1911, por a acharem retrógrada, também lá decretaram umas tantas coisitas. Durante o Estado Novo decretaram-se mais umas mudanças, por isso que mal faz mais uma e não certamente a última?

Além disso, quantas menos letras tivermos que escrever, menos erros damos, não é? Grande parte dos acentos ortográficos são já espécie em vias de extinção, por isso venha lá o acordo que me poupa trabalho na correção dos testes.

Parece-me, também, uma parvoíce dizer-se que este acordo é apenas uma cedência ao Brasil. Embora existam cedências, e qual é o acordo onde não as existem, basta olhar para o que muda para se ver que o que está em jogo é uma adequação do escrever ao falar português. Pela razão de pronunciarmos o c de facto é que vamos continuar a escrever facto. Pelo facto de não pronunciarmos o p de acepção é que o vamos deixar de escrever. Se se tratasse apenas de cedências ao Brasil, facto passaria a ser fato e aceção escrever-se-ia acepção, porque esse p, no Brasil é pronunciado. Trata-se de escrever, assim como pronunciamos, as nossas palavras.

Uma das coisas que mais me irritam neste processo é que me digam que vai ser muito difícil, que se vai dar muitos erros, que as pessoas não se vão habituar. Hoje, por exemplo, não se convive bem com o euro? Convive-se, mas antes dizia-se que ia ser uma grande confusão. Só não se muda o que não se quer mudar e ponto final.

Repare-se que este texto foi escrito de acordo com o acordo ortográfico e, por fora, não se nota grande coisa! Digo por fora porque o meu computador não achou o texto correto e queixou-se muito dizendo que se lhe complicava o sistema, que se lhe desarranjava o hábito das cores fixas para determinadas incorreções. Mas que sabe ele? Vai ao médico e pronto, que aqui mando eu!
O que interessa agora é deixarmo-nos de lamúrias e começarmos, neste tempo de habituação que nos deram, a utilizar o dito acordo. Ao escrever este texto tive dúvidas nas formas do verbo haver, nomeadamente houve e há, que optei por substituir por conjugações do verbo existir. Provavelmente, dúvidas como estas acontecerão amiúde, mas nada como o treino e a leitura do próprio para as resolver. Mãos à obra porque o que está decidido, decidido está!

segunda-feira, 22 de março de 2010

A cor do horto gráfico

Última actualização do dicionário de língua portuguesa - novas entradas:

Abismado: sujeito que caiu de um abismo
Pressupor: colocar preço em alguma coisa
Biscoito: fazer sexo duas vezes
Coitado: pessoa vítima de coito
Padrão: padre muito alto
Estouro: vaca que sofreu operações de mudança de sexo
Democracia: sistema de governação do inferno
Barracão: proíbe a entrada de caninos
Homossexual: sabão em pó para lavar as partes íntimas
Detergente: acto de prender seres humanos
Eficiência: estudo das propriedades da letra F
Halogéneo: forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes
Expedidor: mendigo que mudou de classe social
Luz solar: sapato que emite luz por baixo
Cleptomaníaco: mania por Eric Clapton
Tripulante: especialista em salto triplo
Aspirado: carta de baralho completamente maluca
Destilado: do lado contrário a esse
Pornográfico: o mesmo que colocar no desenho
Coordenada: que não tem cor
Testículo: texto pequeno

(via mail)

Step by step (post vivo)

Há aqueles que fazem a vida subindo alegremente degrau a degrau.
Também há os que a sobem devagarinho, penosamente, mas que, a custo, vão subindo.
Contrariamente a estes, há outros que apenas descem. E outros, ainda, que sobem todos os degraus às costas dos outros. Há também os que a sobem de elevador. Estes, os últimos dois, são espécimes em reprodução desenfreada.
Há ainda aqueles que passam a vida tropeçando, caindo, levantando-se, voltando a cair, levantando-se, tropeçando e que não passam nunca do mesmo degrau. A esses, raça que não passa da cepa torta, pertenço eu e, ao menos, não envelheço!
Há outros, porém, que quanto mais sobem, mais descem, mais caem, mais se levantam, mais fodidos ficam. Há ainda outra raça, os indecisos, que caem, levantam-se, são empurrados, mas não sabem bem o que lhes acontece. Será porque o que ocorre amiúde, passa a ser rotina, ou porque, de tanta mazela, já não se sentem?



Nota: este post vai sendo acrescentado consoante os comentários vão chegando.

sábado, 20 de março de 2010

De degrau em degrau



Quando o tempo que me resta é insuficiente para fazer o que desejo, desço um degrau.
Quando tu não estás e tenho saudades, desço mais um degrau.
Quando o prometido não chega e o aborrecimento não vai, dou um pontapé num degrau.
Neste preciso momento, desço o milésimo terceiro degrau ABAIXO DE ZERO (a pé).

sexta-feira, 19 de março de 2010

Kit de emergência transmontano


segunda-feira, 15 de março de 2010

Apenas um baldinho

Há algum tempo escrevi isto acerca da mais velha profissão do mundo. Não tenho nada contra, nem a favor. Cada um sabe de si e já está.

No seguimento desta argumentação, também não deveria ter nada contra o que vi hoje, mas não consigo deixar de ter, embora não tenha nada com isso.

Todos os dias passo duas vezes por um local onde estas senhoras abundam. Todas as vezes que passo, olho para elas, movida por uma curiosidade que eu própria não percebo. Quase sempre as vejo desocupadas, apenas dedicando o tempo a umas chamadas telefónicas ou dizendo adeus a um ou outro camionista.

Hoje, ao passar, reparo que uma delas parece acertar os pormenores com um cliente e o cliente é um dos meus vizinhos.

Nunca perceberei o que leva um homem, com uma mulher gira, nova, sem problemas de saúde que se conheçam, a socorrer-se deste tipo de esquemas. Percebo que não procure nada mais do que sexo, mas não entendo como pode não ter problemas em adentrar-se numa situação onde a mulher não tem meios para proceder a quaisquer medidas de higiene (imagino que nos pinhais não haja sanitários públicos) e onde o homem não se importa minimamente com isso.

Tudo isto fez-me lembrar África. Nos mercados vende-se cerveja e existe apenas um copo e um balde de água. Cada cliente bebe do mesmo copo que depois é “meticulosamente” passado pela água do balde que só é mudada ao fim do dia.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Posições sexuais e seus pecados

Retirada do livro: "Castigo Divino" da Igreja Universal do Reino de Deus - (Edir Macedo)


Vejam os comentários sobre o pecado das seguintes posições sexuais:

Posição de quatro:
É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Sexo Oral:
O prazer de levar um órgão sexual à boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher, engolindo o sêmen, não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.

Sexo Anal:
O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existem ratos, baratas e mendigos.. A pessoa que sodomiza ou é sodomizada se iguala a um rato pestilento.. .
Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado.
Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno...

Vejam a maneira certa de se relacionar sexualmente, segundo a cartilha:

Posição recomendada:
O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso.

Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem, após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, pois a fêmea deve estar: Orando ao Senhor para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. ..

Depois do ato sexual:

Os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo.

Como penitência:
O açoite com vara de bambu é aceite como forma de purificação.


Comentário próprio: diz o Senhor Bispo que depois do acto em si, os dois devem orar, pedindo perdão pelo prazer que tiveram.Pergunto eu: qual prazer, qual orgasmo?

Se para o homem, coitado, depois de tanta privação, contenção e preocupação pela frustração que a companheira deve estar a sentir, ainda conseguiu um orgasmo, então não merece ser penitenciado pelo prazer porque, por certo, sofre de ejaculação precoce.

A mulher só terá de se penitenciar devido a alguma coceira que teve, porque orgasmo, Sr. abençoado bispo, só em sonhos (purificados, é claro!).

Ele há cada uma, que venha o diabo e escolha!


Nota: texto, excepto o meu comentário, recebido via email. Como tal nem sei se tal livro existe e pouco me interessa. Deixo aqui o texto apenas como curiosidade e porque me fez lembrar a Idade Média onde um casal copulava resguardado por um lençol que tinha um pequeno orifício que servia para introduzir o membro reproductor, evitando-se, assim, o toque do resto dos corpos, bem como a visão da nudez alheia.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Quase, quase...

Ontem estive quase, quase lá. Tão próximo do estar como um sujeito ou um advérbio e, não obstante, tão longe como um gerúndio cansado.

Seriam umas onze quando me interpelam e me avisam que o director me esperava no gabinete. Solicita, disse que ia apenas acabar o incipiente café e que já lá iria.
Depois de devidamente anunciada, não fosse a hierarquia amuar, entrei nos seus domínios.
- Bom dia. Querias falar comigo…
- Olá. Olha, telefonaram-me a perguntar se podias ir ao tribunal…
- Ao tribunal?
- Sim, parece que precisam dos teus serviços…
- Para quê?
- É pá, têm lá uns gandulos estrangeiros que não pescam nada de português e só falam espanhol. Precisam de alguém para ir lá fazer a tradução…
- Fazer a tradução…uhum… de quê?
- Do interrogatório. Precisam de interrogar os gajos. Estás disposta?
- Estou. Parece-me interessante a ideia. Mas olha, entro às 14h20…
- Sim, mas é Orientação Educativa, posso dispensar-te disso.
- Mas às 15h20 tenho de dar um teste numa turma e tenho de estar despachada antes disso.
- Ok. Vou ligar para lá e depois digo-te.

Saí, rindo-me, silenciosa mas compulsivamente. Achei a experiência, que se adivinhava, um primor.
E aguardei. E aguardei. E continuei aguardando.
Aguardei até mais não poder e entrei na aula para dar o tão menos interessante teste.

Hoje, ao dar de caras com o director, perguntei:
-Então? Depois não disseste nada…
- Pois não, desculpa. Telefonaram-me para me dizer que tinham resolvido a situação e eu quis falar contigo para te descansar, mas meteram-se outros afazeres e esqueci-me.

Como se eu tivesse alguma coisa “cansada”. Lá se foi a minha experiência interessante, pensei.

domingo, 7 de março de 2010

A raça do alentejano



Como é um alentejano?
É, assim, a modos que atravessado.
Nem é bem branco, nem preto, nem castanho, nem amarelo, nem vermelho....
E também não é bem judeu, nem bem cigano.
Como é que hei-de explicar?
É uma mistura disto tudo com uma pinga de azeite e uma côdea de pão.

Dos amarelos, herdámos a filosofia oriental, a paciência de chinês e aquela paz interior do tipo "não há nada que me chateie";
dos pretos, o gosto pela savana, por não fazer nada e pelos prazeres da vida;
dos judeus, o humor cáustico e refinado e as anedotas curtas e autobiográficas;
dos árabes, a pele curtida pelo sol do deserto e esse jeito especial de nos escarrancharmos nos camelos;
dos ciganos, a esperteza de enganar os outros, convencendo-os de que são eles que nos estão a enganar a nós;
dos brancos, o olhar intelectual de carneiro mal morto;
e dos vermelhos, essa grande maluqueira de sermos todos iguais.

O alentejano, como se vê, mais do que uma raça pura, é uma raça apurada.
Ou melhor, uma caldeirada feita com os melhores ingredientes de cada uma das raças.
Não é fácil fazer um alentejano.
Por isso, há tão poucos.

É certo que os judeus são o povo eleito de Deus.
Mas os alentejanos têm uma enorme vantagem sobre os judeus:
nunca foram eleitos por ninguém, o que é o melhor certificado da sua qualidade.

Conhecem, por acaso, alguém que preste que já tenha sido eleito para alguma coisa?
Até o próprio Milton Friedman reconhece isso quando afirma que
«as qualidades necessárias para ser eleito são quase sempre o contrário das que se exigem para bem governar».
E já imaginaram o que seria o mundo governado por um alentejano?
Era um descanso...




Nota: recebido via email. Enviado por um quase minhoto casado com uma alentejana, que por acaso, sou eu.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Lustre


De momento tenho o ressonador em Angola na zona dos diamantes, mas nem por isso tenho mais luz aqui em casa ou anéis nos dedos...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Violência doméstica


À hora exacta das couves e das batatas molhadas, chega a casa. Pendura as chaves no chaveiro, o casaco no cabide, passa brevemente pela casa de banho e dirige-se à cozinha.

Sem um carinho, atira: - Fernanda, o comer está pronto?
Fernanda responde entre dentes que sim e chama os filhos para a mesa.
A garrafa do vinho? - pergunta a maus modos.

Mastiga-se o silêncio, as batatas e o medo.

A garrafa do vinho, já disse! – remata, peremptoriamente.
Ó homem, deixa lá isso. Olha o que disse o doutor.
Quero lá saber do doutor ou meio doutor. Dá-me o vinho!
Fernanda levanta-se e traz-lhe o vinho sabendo, inequivocamente, o que se avizinha.

Ai homem que és a nossa desgraça, lamenta-se angustiada, olhando os filhos de soslaio.



Nota: A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, na maioria das vezes de forma silenciosa e dissimulada. Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer a nenhum nível social, económico, religioso ou cultural específico, como poderiam pensar alguns.


domingo, 28 de fevereiro de 2010

A caixa de música


Assim que chegava à velha aldeia, à primeira oportunidade corria para casa da sua vetusta tia. A razão primordial não era a saudade que sentia da tia, mas a saudade que tinha do objectivo mais bonito que conhecera em toda a vida.

Mal entrava em casa, cumprimentava a tia de raspão e dirigia-se à sala dos fundos. Antes de qualquer acção mais movimentada, primeiro olhava-a, como que confirmando que realmente existia. Depois, a medo, não fosse a magia quebrar-se, rodava a corda e, embevecida, deixava-se envolver pelo seu melancólico som e a sua vista perdia-se na dança da pequena bailarina que saía da caixa. Durante dois minutos e alguns segundos era feliz.

Quando a corda acabava, rodava novamente o manípulo e, mais uma vez se tornavam cúmplices. Sim, acreditava que esse era também o momento mais feliz da bailarina, os breves momentos em que a deixavam bailar, depois de tantas horas de espera.

Nunca conseguira satisfazer o desejo de vê-la bailar até ao limite do cansaço. Quase sempre a tia a interrompia e reclamava a posse da ilusão.


- Menina, isso não é para estragar. Veio de França. É muito caro e não é brinquedo de crianças.

O tempo não se detém e muito mais tarde, a filha mais velha, sabedora dos anseios maternos, calcorreou meia cidade com uma pesada caixa de música para lhe oferecer no Natal.
A mãe desembrulhou a prenda e de imediato os olhos encheram-se de lágrimas. A filha sorriu convicta da felicidade da mãe. À mãe, as lágrimas continuavam a lavar-lhe o rosto, mas, contrariamente ao esperado, de frustração e infelicidade egoístas.

À prenda, uma caixa de jóias com música, faltava o essencial da magia, a pequena e doce bailarina, vestida de tule.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Morra a data, pum, pum, pum


Uma fotografia é, supostamente, uma janela aberta. Através delas, tanto da janela, como da foto, podemos tornar nosso o que vemos. Quando uma fotografia tem data, tanto ela, como o momento a que se refere, ficam datados, impedindo, aos outros, a sua apropriação. O momento retratado torna-se apenas do fotógrafo, porque só ele esteve, naquele momento, lá.


Para os demais, é como espreitar pela janela dos outros e imiscuir-se nos seus momentos mais íntimos. Não é agradável.


Façam-me o favor de desactivaram essa aplicação. Morram as datas nas fotos! Pum!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um pouco mais de azul e eu era além, já dizia o M. Sá Carneiro que, a ver pelas fotos, sofria do mesmo mal que eu!

Não sei em que noite ou dia fui feita. Sei, apenas, que houve uma certa atrapalhação na arrumação dos meus genes. Uma vez que nasci 9 meses e um dia depois de os meus queridos progenitores se terem casado, poder-se-á ter dado o caso da arrumação ter sido feita depressinha demais. Não sei!

Sei que tenho genes de uma progenitora de fazer parar o trânsito. Loura, lindíssimos olhos verdes e uma carinha e corpo larocos que, a elas, fazia suspirar de inveja, a eles, de outras coisas.


Sei que tenho genes de um morenaço com pinta de actor que era o terror dos pais e o sonho das filhas.

Sei também que quando nasci, a minha mãe, olhando-me desconsolada, disse: queria muito ter uma menina, mas feia como esta é que não.

Sei que era para me chamar outra coisa, mas deram-me este nome, porque pelo menos tinha bela.

Sei que sempre me atribuíram as parecenças de uma avó, que nunca conheci, excepto em fotografia, mas sempre referiram que não lhe chegava aos calcanhares.

Sei que tenho um primor em forma de prima direita e com a qual dizem que sou levemente parecida (levemente, note-se).

Ainda bem que sou filha única, imagino a irmã que aí viria e a inveja que por aqui havia.

Afinal, pá, que é feito dos genes da gente bonita que tenho na família e que deviam ter passado para mim? Que é deles, pá?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Gafanhotos

Chegara manso, qual gafanhoto de inverno. Fugiu-lhe ao olhar directo, pegou no jornal e sentou-se à lareira.

- Onde estiveste? – perguntou ela, secamente, enquanto dobrava as camisas.
- Pensando na vida, Natália, pensando na vida.
- E que concluíste?
- Que a pele é inútil se não fala o idioma do ardor e da água.
- Molhaste os pés e picaste-te nas ortigas?
- Não.
- És complicado, homem. Deixa-me passar a roupa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Antes eras tão linda!

- Chega-te para lá.
- Ora essa, já nem na minha cama posso estar como quiser? E chego-me para lá, porquê?
- A tua presença atrofia-me.
- Merda de vida!
- Mais vale teres esta, que vida nenhuma. Vá, chega-te para lá.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A pele é inútil se não fala o idioma do ardor e da água.

Ensina-me o verbo, retira-me o silêncio. Leva-me ao grito.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Ainda a propósito do amor

Cuida do nosso filho – foram as suas últimas palavras, ditas entre golfadas de sangue.
- Não me deixes, não me deixes - repetiu ele vezes sem conta. Mas ela deixou-o, depois de pouco mais de doze anos de vida em comum.
Andou louco, perdido, meses a fio. Não cuidou dele, nem do filho e apenas disso se deu conta quando o petiz, a quem estava atribuída a tarefa de cozinheiro, se confundiu nos garrafões e cozinhou o almoço com petróleo em vez de azeite.
Isto não é vida para o meu filho. Devo-lhe isso, a ele e a ela, pensou. Vou arranjar uma mulher.

- Ó da casa?
- Ora seja bem aparecido, compadre. Que o traz por cá? - perguntou Inácio.
- Tá bom compadre? Venho apresentar-lhe uma proposta do meu compadre António – respondeu, solícito.
- Homessa, atão nem conheço o seu compadre- retorquiu Inácio.
- Conhece, quer dizer, já ouviu falar dele. Não se alembra do António do Monte Abegão, o deserdado, aquele que enviuvou, coitado, tão novo. Ficou com um gaiato numa mão e montes de dívidas na outra – arrematou Joaquim Coxo.
- Já m’alembro, o tal a quem à mulher lhe arrebentou o coração e morreu afogada no próprio sangue. Ouvi falar. Uma desgraça! Mas que me quer ele? – perguntou curioso.
- Olhe, até fui eu quem lhe dei a ideia. Sabe, o moço é de haveres, mas para já só tem dívidas à conta da doença da mulher e da casa que fez. Alembrei-me da sua Maria Perpétua. A moça não vai para nova e se calhar até lhe dava jeito o casório, - que me diz?
- Será assunto a ver.

O negócio fez-se. Maria deixava o encalho e casava-se. António recebia 40 contos e uma junta de bois e a promessa de mudança de vida.

Maria Perpétua, ansiosa esperava-o, perscrutando pelo postigo da porta. António, ao vê-la, deixou escorregar o sorriso da boca. Irra, velha e feia, pensou. Maria, ao vê-lo, pensou, bonito e novo de mais, vai-me dar demasiado trabalho.

Dormiram juntos uma vez na vida. Nunca mais repetiram, mas viveram juntos até ao fim!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A propósito do Dia dos Namorados

- Se te queres casar, casa-te, não esperes é receber heranças minhas!
A conversa terminara assim, acrescentando-se apenas o ruído de uma porta ferozmente batida.
António ruminando despautérios que não teve coragem de proferir frente ao seu pai, dirigiu-se, a passos largos, para a aldeia.
-Que te disse ele? – perguntou Carolina, ansiosa.
-Que calculas? Que me deserdava se casasse contigo – respondeu ele, cabisbaixo.
- Deixa lá. Nem só de dinheiro vive o homem, retorquiu ela com voz apaziguadora.
Talvez a conversa se tenha passado assim, ou talvez não. Não estava lá para ver e apenas sei a versão que foi passando através da família.
O meu bisavô, filho de gente abastada, prendeu-se de amores por uma criada da casa. O romance não foi aceite e ele foi impedido de casar com a pretendida, sob pena de ser deserdado se o fizesse.
Apesar desse namoro ter nascido um filho, apenas se casou com a minha bisavó depois do meu trisavô ter morrido.
Dizem que a História é cíclica, neste caso parece que o foi. O meu avô também se prendeu de amores com uma criada da casa. Mas não foi tal pai, tal filho, porque este teve mais coragem. Não lhe importaram os haveres e casou-se com a sua bela. Foi efectivamente deserdado, mas o outro irmão, mais tarde, decidiu repartir a herança equitativamente.
Foi por isso que o meu pai me colocou o apelido de Mendes, a que ele não teve direito e o pai também dele também não. Ao que parece foram filhos só de mulheres!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

12 de Fevereiro

O tempo passa.
Hoje, eu e o meu ressonador, fazemos 27 anos de casados. Tanto ele como eu temos mais anos de casados do que de solteiros. Eu tenho mais 11 de casada que de solteira e ele mais 6. Atendendo a que tenho 43 (quase no fim) e ele 48, calculem a idade em que demos o nó. Como diz o meu sogro, em dias bem dispostos: - tá bonita a parte, tá!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A arte do bom roncar ou a odisseia de um ouvinte

Gosto especialmente de ouvir um bom ressonador!

Em vez do monótono e manso silêncio nocturno, o ronco alheio, muito mais interessante, conduz-me a paragens longínquas.

Imagino selvas cheias de canibais que me perseguem, acompanhados pelo alarido estonteante dos tambores. Imagino famílias inteiras de leões famintos que rugem, ferozes. Imagino a algazarra das hienas e o estridor dos hipopótamos.

Outras vezes, vou para outras paragens, embalada por sons e ritmos diferentes. Nessas, imagino que estou no do Carnaval do Rio, ou mesmo na festa de Passagem de Ano do Alberto J. Consigo até imaginar a cor dos foguetes. Noutras, ainda mais divertidas, lanço foguetões para o espaço.

Se não fossem estes sons, viajaria apenas meia dúzia de vezes por ano. Assim, viajo assiduamente todas as noites.

Pena que não viajemos juntos. Viaja um para cada lado!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Taras e manias

Para “descuriosar” a minha amiga Maria Teresa (nome fino, este) dos Beijinhos Embrulhados que me lançou o repto de desembrulhar cinco manias minhas, aqui vai:

1ª – Nunca começar um livro e deixar de o ler até ao final. Esta não deve ser mania, deve ser mas é uma tara valente, porque já me custou muitos amargos de boca (de olhos, literalmente), dada a péssima qualidade de alguns. No entanto, quero dar sempre ao escritor o benefício da dúvida e quem se lixa, normalmente, sou eu, porque se há tanta escolha, porque tenho de perder tempo com os maus? É tara, pois é, mas já tinha avisado!

2ª – Cortar o cabelo, quando já passou a fase pior do crescimento da minha trunfa. E ponham trunfa nisso! Cada vez que vou ao cabeleireiro hei-de encontrar sempre um engraçadinho que me diz que tenho melena de modelo e que é uma pena não o deixar crescer que ia ficar tão lindo. Não sabem eles o trabalho que dá ter mais 50% de cabelo que as outras pessoas e não ter jeitinho nenhum para as artes cabelereiricias, lol.

3ª – Adormecer com a televisão ligada. Parece que esta mania é genética, uma vez que “contagiou” a minha prole. Mas os Senhores da Luz andam contentes!

4ª – Querer que toda a gente prove o que eu mais gosto. Esta não é genética, lol, e até ficam chateados comigo cá em casa. Mas que culpa tenho eu de querer que gostem do que é bom? Não percebo! Também gosto de provar as coisas dos outros, facto que também parece não agradar. Acho que sou a única que não sou egoísta, lol.

E sai a última, mas não menos importante. Tenho a mania de ser mandona e de não gostar de trabalhar em grupo. Talvez seja tara de filha única, ou não!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

La Farmville et moi

Até há um minuto atrás pertencia à associação “FarmVille dependentes anónimos de Portugal”, agora que o divulguei deixei de ser anónima, mas nem por isso menos dependente.

Eu, I, je, yo, ego, (não acrescento mais línguas porque me falta sabedoria para tal) me confesso: sonho com aumentar quintas, apanhar frutas, ordenhar vacas, cabras, apanhar ovos, cultivar e recultivar terrenos…

Eu, que na realidade, não tenho horta, não tenho animais domésticos e tenho um jardim mal tratado. Eu, que nada mais joguei na vida do que uma boa suecada de quando em vez, vejo-me agora perdidamente embrenhada nestes imbróglios virtuais.
O mais caricato da questão é que estou tão viciada que até pergunto aos meus fregueses quem joga Farmville, com o intuito de conseguir vizinhos (imprescindível no jogo).

Ego, Calendas, a quem o tempus fugit normalmente, aqui me confesso e aqui prometo nunca pôr um pé num casino, porque já se viu a minha raça.

Agora que estou com a alma mais leve, vou ver as minhas culturas virtuais…