segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O dia mais injusto

Vivi o dia mais injusto da minha vida com sete anos mal medidos.

Fiz a primeira e parte da segunda classe numa escola primária de Matosinhos. Um dia, andava eu já na segunda classe, a professora pediu à minha colega de carteira que fosse ao quadro fazer uma conta de multiplicar. A Ana, assim se chamava, não era muito dada às lides escolares e, bloqueada, não despachava o serviço. A professora, no fundo da sala, impaciente, incitava-a a continuar.
A Ana, augurando, no mínimo, reprimendas várias, ficava cada vez mais nervosa. A minha colega da carteira da frente, Cecília, movida pela compaixão, começou a ditar baixinho os números que a Ana deveria escrever no quadro. Número após número a conta ia surgindo, compostinha.
Talvez o espírito santo de orelha tivesse sussurrado mais alto, o certo é que a professora se apercebeu do facto e rapidamente se ouviu a sua voz já alterada:
- Anabela, cala-te.
Ora eu, estava calada e permaneci calada. E a Cecília, movida pelos mais altos sentimentos, continuou:
- bota um cinco.
- Anabela, já te disse que te calasses.
E a Cecília continuava, querendo levar a bom porto tão difícil problema de cálculo.
- Bota um três.
Zangada, a professora, aproximou-se de mim, e perguntou-me a viva voz se não me tinha já mandado calar.
Encolhida, respondi-lhe:
- Senhora professora, mas não era quem estava a falar.
- Pois agora é que vais levar, responde ela. Não gosto de mentirosas, acrescenta.
Seu dito, seu feito. Espetou-me duas reguadas que me doem até hoje.
Mas o dia não acabou aí.
Na volta para casa, resolvi afastar o stress passando por cima de uma tábua que oscilava encima de uma fossa que estava a meio limpar. Um dos meus colegas mais "perversos", achando a altura ideal, deu-me um empurrãozito solicito. O equilíbrio foi-se e catrapuz. Quase que aprendi a nadar!
Depois da luta para sair da fossa, lá fui estrada acima, pingando e tresandando. Chego a casa e ainda ouvi sermão e missa cantada da minha mãe.

Ora, convenhamos que é demasiado para um dia só. Nem sei como não fiquei traumatizada, nem pedi apoio jurídico, mas a minha vida nunca mais foi a mesma, lol.

8 comentários:

maria teresa disse...

Nesse dia devias ter um diabinho a vigiar-te e não um anjinho como de costume.
Criança sofre...

Calendas disse...

Pois é, lol. E agora tb. Não acerto com o template, nem por nada. Uns são feios, outros não dão!!!

by " A Invisível " disse...

Querida Calendas;
Em relação a este episódio de criança, estas desculpada de todos os erros que possas vir a cometer!;=)
Até eu ficava traumatizada até hoje!!
Beijinho* (ainda bem que estas de volta!)

by " A Invisível " disse...

P.S.- se me permites a opinião, gostei muito do template anterior.
Beijito*

Calendas disse...

Eu também, mas era de Natal. E não sei tirar aquelas imagens de lá.

Carapau disse...

Templates?
Gosto deles simples como este que estás a usar. Mas tu é que és a dona da quinta.
Quanto à tua história...nem calculas o número de vezes que fui acusado inocentemente. Depois vingava-me.
De tal maneira que a minha Mãe passou a aacreditar só nas minhas mentiras e nunca nas minhas verdades!
E como mãe raramente se engana... já estás a ver o nivel do "artista".
Caí, ainda pequeno numa pia de água, de cabeça para baixo, felizmente alguém viu (já devia ser a atracção pela natação...), mas nunca caí num poço de merda.
Chega-te para lá...
(Uma promessa à margem: qualquer dia talvez publique uma história com um caso que me aconteceu na primária. Será uma homenagem a uma colega de então).

RED disse...

Deixa lá, em contrapartida agora tudo os traumatiza, pobres criaturas que nem podem tossir.

Também gosto do template assim simples e clean. lol

Calendas disse...

Eu não gosto do template e ponto final. Hei-de mudá-lo assim que for possível. E qto aos traumas, pois é, agora são uns pré-traumatizados.

E, Carapau, foi no tanque que aprendeste a nadar? Afinal és peixe de água doce ou talvez um lagostim.