segunda-feira, 28 de junho de 2010

Viver despenteada

Decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é bom, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o rosto, enruga.
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...

Fazer amor - despenteia
Nadar - despenteia
Pular - despenteia.
Tirar a roupa - despenteia.
Brincar - despenteia.
Dançar - despenteia.
Dormir - despenteia.
Beijar com ardor - despenteia.

É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide
andar na montanha russa, que aquela que decide não subir.
Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres: entrega-te, come
coisas gostosas, beija, abraça, dança, apaixona-te, relaxa, viaja,
salta, dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para
ficares linda, arranja-te para ficares confortável, admira a paisagem,
aproveita, e acima de tudo: deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que precises de te pentear de novo...



Nota: tenho cá uma certa impressão que corrigir exames nacionais também despenteia. Deve ser de tanta vez pôr as mãos à cabeça!!

Recebido via email.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Chocante

Uma das maiores empresas de marketing do mundo, resolveu passar uma mensagem para todos, através de um vídeo criado pela TAC (Transport Accident Commission) e que teve um efeito drástico na Inglaterra.

Depois desta mensagem, 40% da população da Inglaterra, deixou de usar drogas e de consumir álcool pelo menos nas datas comemorativas. Nós ainda não temos este tipo de iniciativa aqui em Portugal, mas temos os mesmos assassinos à solta.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Para terminar



Caríssimo Carapau


Foram sete meses certinhos, sem (literalmente) tirar nem pôr. Vim de lá de todas as cores e com mais do dobro do tamanho. Por todo o lado para onde me virava, havia sempre algo que me impedia o alívio. Não querendo incumprir o estabelecido e correr o risco de ser comparada ao povo Camussumbe, até consultei um afamado médico, procurando uma solução para o meu problema.
Depois de muita investigação, disse-me que nada podia fazer por mim. Ainda se fosse uma doênça na bichiga... mas não era e ele, essas partes do corpo não tratava.
Se algum dia fores a África, não hesites em consultar o afamado cientista.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mas afinal onde é que se pode?



Se não se pode na praia, se não se pode no mato, se não se pode na casa de banho, AFINAL ONDE É QUE SE PODE?


NOTA: Abrir a foto para ler melhor o que está escrito no cartão. Na foto está o maridinho que, numa pose sofredora, reza aos anjinhos por uma luz (ou será por um penico?).

domingo, 30 de maio de 2010

Proibido "arriar o calhau"


Nas minhas primeiras andanças por terras africanas, espantou-me o teor de certas tabuletas que avisavam, de forma mais ou menos escatológica, os locais certos ou proibidos para o povo se aliviar.


Ainda que devidamente avisados, com placares afixados em árvores, paredes, postes e outros sítios bem visíveis, parece que o pessoal continuava a prevaricar, obrigando os donos de alguns terrenos, que não gostam deste adubo ecológico, a optar por métodos mais dissuasores.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Acerca da diferença

Vi num blogue de uma mãe de um filho deficiente, do qual não revelo o link por não querer causar quaisquer constrangimentos, a seguinte frase:

“o meu filho é a melhor coisa que me aconteceu e, se me dessem a escolher, não quereria ter outro”, referindo-se ao seu filho portador do síndroma de asperger, um dos muitos géneros de autismo.

Já eu, mais inconformada, não vejo as coisas dessa maneira. No meu ponto de vista, a chegada de uma criança deficiente é sempre uma experiência traumática, susceptível de alterar o estado emocional dos membros da família. Num primeiro momento, a família vivencia um estado de perda ou “morte”, já que a expectativa do nascimento do bebé idealizado é desmanchada pelo encontro com o bebé real. Esse momento é recheado por sentimentos de tristeza, decepção, inferioridade e revolta, levando a família a uma incompreensão da situação vivida.

A partir daí torna-se necessário, para que se possa aceitar o filho real, viver o processo de luto por aquele filho “perdido”. Dependendo de cada um, das suas próprias contingências individuais e familiares, este estado pode estender-se por muito tempo. Quando, por fim, se aceita o inevitável, a família é lançada para um mundo de incertezas e inseguranças. Depara-se com o impacto da rejeição das pessoas com relação à deficiência do seu filho e sofre com a curiosidade manifestada pelos olhares, comentários e atitudes, apercebendo-se que a sociedade não aceita e não oferece espaço ao diferente. Vivencia a culpa por ter gerado uma criança deficiente e também pelos sentimentos e atitudes de rejeição para com esse filho.

Embora a família procure apoio nos profissionais de saúde, muitas vezes não recebe as informações necessárias acerca da deficiência do seu filho, pois nem sempre é possível determinar a causa exacta. Não as recebendo, instala-se um ainda maior sentimento de descrença, frustração e impotência.

Ainda voltando à citação da mãe que refiro no inicio do texto, se há aspectos positivos na situação, eu não os consigo ver. Não trocaria o meu filho, porque é meu, faz parte de mim e gosto dele. Mas, contrariamente à outra mãe, não foi a melhor coisa que me aconteceu e, se me dessem a escolher, querê-lo-ia, sim a ele, mas, pelo bem de todos, de uma outra maneira.

sábado, 22 de maio de 2010

«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce»

Há três espécies de gente: os que apenas sonham, os que concretizam o que sonham e os Velhos do Restelo. Admiro os que, para além de sonhar, materializam os seus propósitos, por mais megalómanos que sejam.

Neste momento, tenho um amigo a percorrer África, de bicicleta. O seu sonho é fazer os cerca de 6000 km que distam entre Luanda – Maputo. Como companhia leva apenas a sua dose de loucura, um ipod, uma máquina fotográfica, 25 kg de artigos de primeira necessidade e, claro, a bicicleta.

Num excelente blogue, que vai actualizando à medida que lhe é possível, relata, na primeira pessoa, as suas peripécias. Além de uma África real, bem documentada por fotos e palavras, podemos ver, acima de tudo, o espírito de um empreendedor. Estivéssemos nós no tempo dos Descobrimentos e ele seria, seguramente, o capitão da primeira caravela!
Deixo o link do blogue em questão (Luanda-Maputo by bicycle). Devido à sequência cronológica, os primeiros textos a ler deverão ser os mais antigos.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

I like the way you move




Esta senhora, apesar de ser já SEMINOVA, move-se com tal elegância, graça e ligeireza que me ponho a pensar como seria ela quando era MESMONOVA.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Beijos, avó


Foi, paulatinamente, recuando no tempo e deixando de conhecer as pessoas que amava. Antes de se recolher a um estado quase vegetal, contou-me, como se o fizesse a uma amiga adolescente, a história de um rapaz com quem mantinha um incipiente namoro. Obrigando-me a jurar que mantinha o segredo, confidenciou-me que se encontravam na fonte e que já o tinha beijado. Inventou-me um nome e disse-me adeus. Chamei-a pelo seu e disse-lhe também adeus. Despedimo-nos para sempre. Ela da amiga, eu da avó que tinha já sem ter.

Lembro-me dela, aliás, lembro-me muito dela. Chamava-se Joaquina e contava-me histórias que tinha aprendido de cor. Jogava comigo às cartas e fazia batota. Pela manhã iniciava um ritual a que eu assistia deliciada. Começava por lavar a cara com muita água e sabão, penteava os longos cabelos e humedecia-os com um pouco de “Restaurador Olex”, embranquecia os dentes com casca de pêra, gorgolejava um pouco de aguardente para afastar o mau hálito matinal e, como remate final da toilete, esfregava meticulosamente a cara com creme “Benamor”.

Filha de um professor, era a única dos sete irmãos que não sabia ler. Na idade em que deveria ter começado a aprendizagem, calhou-lhe na rifa a tarefa de ir ajudar uma tia a cuidar dos filhos gémeos. Quando regressou, achou-se demasiado adulta para começar e dedicou-se a aprender os lavores próprios da classe feminina. Ao longo da vida, nunca se perdoou por essa opção.
Era uma mulher expedita, rápida nas contas e com bom olho para o negócio. Um dia, notando-lhe algum desassossego de alma, perguntei:

- Avó, gosta de morar aqui?
- Esta herdade é grande, mas eu sou maior do que ela - respondeu-me.

Espero que haja muito vento no céu, para que a sua nuvem viaje muito.

Beijos, avó.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ad eternum

Invariavelmente, os meus pais e eu, passávamos cerca de um mês por ano nas casas dos meus avôs paternos e maternos. Ambos, nessa fase da sua vida, viviam em montes alentejanos à lonjura de 4 km de quaisquer outras almas viventes da minha faixa etária.

No mês anterior à fatídica ida, esperava a chegada da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e escolhia criteriosamente seis livros - o máximo permitido - pelo peso. (Ainda hoje, e devido ao actual astronómico preço dos livros, um dos critérios que sigo é esse). Disciplinadamente, obrigava-me a adiar a leitura até estar instalada na casa dos avós.

Ainda que tentasse ler devagarinho, quase sempre a leitura acabava na segunda semana. Depois começava o suplício.

Nenhum dos meus avós tinha luz eléctrica, embora ambos tivessem televisão. No entanto, a caixinha mágica, por funcionar a bateria, e por as baterias serem de consumo rápido e de difícil transporte, era um bem que apenas servia para ver o telejornal, programa que pouco ou nada me interessava.

Nos dias depois dos livros, as horas corriam sempre demasiado devagarinho. Procurava dribla-las apanhando malmequeres; comendo romãs e, simultaneamente, fazendo apostas comigo mesma sobre a inevitabilidade de deixar, ou não, cair os bagos; procurando nos céus seres alienígenas e no desenho das nuvens as figuras mitológicas que conhecia. E durante todo o tempo do tempo, imaginava a diferença entre ter ou não ter um irmão. E o tempo, rindo-se de mim, tardava ainda mais as suas lides.

Depois do tempo dos livros, o Alentejo convertia-se em desassossego, em solidão, em saudade dos amigos, em desespero por voltar à civilização. Detestava-o.

Hoje continuo a detestá-lo, mas gosto de pensar que há aspectos, coisas na vida, que nos pontapeiam uma ou duas vezes e que nos acompanham ad aeternum. Assim posso dizer que tenho um trauma de infância que me faz detestar a minha terra. Já não parece tão mal e, além disso, os traumas estão na moda.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Manutenção

Há gajos que nascem sem sorte! Esta Calendas obriga-me a vir à casa dela, regar-lhe as flores, dar comer ao cão, ao gato, ao periquito, enquanto se diverte no bem bom. Logo a mim, que mal me posso mexer debaixo de tanta alergia e que corro o risco de asfixiar debaixo desta nuvem de cinzas. Não vá ela reclamar e ainda ter de a ouvir, já lhe apanhei as alfaces todas, lavei-as e meti-as no frigorífico. Sim, porque conhecendo-a como a conheço, ainda me ia obrigar a escová-las todinhas se lhes topasse uma partícula de cinza. Raios parta a mulher!

À vinda para cá, passei numa drogaria e comprei uma máscara para me proteger contra as manhosas das cinzas, mas não sei se será eficaz. Nas indicações só se falava em gás mostarda e pimenta, em cinzas nada.

De qualquer maneira, ainda gostava de saber quem é que autorizou à tal da nuvem o acesso ao MEU espaço aéreo.

E olhe lá, ò Sr. Eyjafjallajökull, tome qualquer coisinha porque isto de estar sempre a vomitar e a arrotar tem que se lhe diga.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vacances

Vou de vacances do blogue por uns dias porque valores mais altos se alevantam. O Lipes prometeu que me ficava a tomar conta do gato, do cão e do piriquito, mas não contem muito com isso porque ele é assim um bocado pró ocupadito (leia-se preguiçoso) e as promessas leva-as o vento, com uma pinta desgraçada.

Quando chegar, espero ainda ter gato, cão e demais criação. Espero também ter ainda o sofazito para recuperar da viagem.

Inté

domingo, 2 de maio de 2010

Impressões sofarianas

Ai se não tivesse prometido um lugar aqui no sofá para o Lipes...
Punha mais uma almofada...
Esticava mais as pernas...
Batia uma sorna com mais estilo, mas não vá ele chegar e apanhar-me a roncar...
Afinal o Lipes fica com o lugar para quê?
Nunca se senta...
Será que sou demasiado espaçosa?

Vou pôr uma almofada no lugar dele... sempre dá para pôr os pés... se ele chegar de repente dou-lhe um pontapé (à almofada, claro) e finjo que não é nada comigo.

sábado, 1 de maio de 2010

Que seca

Estive anos sem telefone fixo e a verdade é que não lhe senti falta nenhuma. Há pouco tempo, devido a uma mudança de operador de internet, caí na asneira de voltar a ser assinante da PT.

Apenas duas pessoas deveriam ter o meu número, porque apenas a essas lho comuniquei. Parece que os senhores da PT não pensam assim e além de me telefonarem por dá cá aquela palha, fornecem o meu número a meio Portugal!

Recebo chamadas da PT a perguntar se estou contente com o serviço. Recebo chamadas de empresas de crédito a "oferecerem-me" cartões. Recebo chamadas do Manelito mais velho a propósito de nada. Recebo chamadas que não quero e que não solicitei. Já pensei até em colocar aquele autocolante que diz "Publicidade não" no telefone, mas pareceu-me que eles não o iam ver. De qualquer maneira, estou farta!

A partir de agora atenderei assim e pode ser que me larguem a braguilha:

- trim, trim.
- Istoou.
- Bom dia, posso falar com...
- A minha sinhora nã tá.
- Ai não, que pena. Quando é que posso voltar a telefonar?
- Nã sê, a sinhora tá a modus qui num barco, chamado nã sê quê, a fazeri uma excursão.
- Mas não sabe quando volta?
- A minha sinhora nã me conta assim a vida toda dela e eu tamém nã pregunto. E olhi, tenho que ir esfrigar as panelas, q'ela gosta de tudo a leziri, por isso tenha uma munto boa tarde.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Selos; Sê-los; Celos (ciúme em espanhol)

Vou-me deixar de esquisitices e aceitar os selos que, graciosamente, me ofereceram. Os que me conhecem de blogues anteriores sabem que normalmente não entro nesta corrente dos selinhos, mas hoje devo estar num dia mesmo bom.

Ora o primeiro selo veio da AVOGI (e as pulgas). Ora diz ela que este blogue é muito foto. Bom há gente assim, com gosto estranhos, mas "prontos", cada um come do que gosta.




Como não há bela sem senão, sim, porque isto afinal não é de forma graciosa, parece que havia as seguintes exigências:

1 - Colar o selinho no blogue.

2 - Citar as 3 lembranças mais fofas da minha infância.

3- Indicar seis blogues fofos.

Bem, relativamente à primeira exigência, quero aqui deixar expresso que me custou muito satisfazê-la. Primeiro não sabia que cola usar para colar o dito cujo, pensei em super cola 3 mas achei que podia correr o risco de nunca mais sair. Pretendi optar pela cola UHU, por temer um possível arrependimento na colagem, mas não encontrei o raio da cola em casa. Depois de muito pensar, decidi colar à moda antiga, com cuspo, pois então. Pronto, tá colado!

2 - Relativamente à lembrança mais fofa... está aqui um caso sério... lembro-me da almofada, do cobertor, do cachecol vermelho... do casaco felpudinho...

Se calhar não era esta a lembrança que se pretendia. Vou pensar de novo...

Ah, o colo da mamã, o cheirinho do pão feito pela avó materna e a minha chupeta (lembro-me de a encontrar aos seis anos e pregar-lhe umas valentes e saudosas chupadelas).

3 - E agora os famigerados donos dos blogues fofos. Ora deixa cá ver...

Red Nails (sim, porque ela adora selos e é tão fofinha, lol)
Cantinho da Casa (pela paciência em vir cá de vez em quando)
Beijinhos Embrulhados (já que estamos numa de troca de galhardetes)
Carapau (ainda que me vá rogar três pragas, mas as pragas dele não assustam ninguém)
AVOGI (porque está de castigo, obviamente)

E pronto, ainda que não sejam os 6 pretendidos, não desejo assim tanto mal ao restante pessoal que me visita.


O segundo selo veio no correio da Teresa dos Beijinhos Embrulhados. Diz ela que eu sou um exemplo para ela. Tadinha, é por isso que ela é assim. Pudera, com exemplos destes!





Bom, estou de acordo com isso de ser guerreira. No meu nome, que consta de quatro apelidos, os do meio são Guerreiro de Jesus. Creio, portanto, que andei na Guerra Santa, por isso está bem!

Mais uma vez havia umas tantas regras para cumprir:

1 - citar dois defeitos
2 - citar duas qualidades
3 - indicar uma música que seja ou esteja a ser a trilha sonora da minha vida
4 - uma frase que eu use como mantra.
5 - indicar seis bloguistas.


Quanto aos defeitos, depois de muito pensar e repensar, e não ter achado nenhum, decidi que tenho apenas uns defeitinhos: podia ser ainda mais bonita e jeitosa.
Qualidades, ai sinhor, tenho tantos predicados que nem sei. Pronto, modéstia à parte, faço crochet muito bem e pinto maravilhosamente (nem sei como não abro uma loja!).
Relativamente à questão da música, estou indecisa entre as imensas do saudoso Zé Cabra e as do Tone Carreira. Acho que fico mesmo com o José Cid, embora os santos da casa não façam milagres (mora a 2 km da minha pessoa) na sua "Nasci para a música".
Eu não uso mantras, uso mantas, lençóis, fronhas e quando estou mais moderna, um edredon. Por isso deve ser erro de quem inventou este selo pedir isto da tal mantra.
Quanto aos bloguistas, que agarre o selo quem o quiser, mas o mais certo é que fujam dele a sete pés.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

O pesadelo

Recebido via email.


No pesadelo, acordo, olho-me no espelho e descubro que sou vesgo. Procuro freneticamente nos bolsos, para ver minha fotografia no Bilhete de Identidade, para ver se sou realmente aquele. Acho um passaporte e descubro.... sou italiano...
Não pode ser, meu Deus!!!
Sento-me inconsolável numa cadeira. Mas não é possível!! É uma cadeira de rodas, o que significa que, além de ser vesgo e italiano, sou também deficiente físico!
É impossível, digo para mim mesmo, que eu seja vesgo, italiano e deficiente físico...
- 'Amoooooor!', grita uma voz atrás de mim. É o meu namorado.. Porra! Sou também maricas...!
- 'Foi você que usou a minha seringa?'
Ó Deus! Vesgo, italiano, deficiente físico, maricas e se calhar seropositivo!
Desesperado, começo a gritar, a chorar, a arrancar os cabelos E...
... Nãooo!!!!!
Sou careca!
Toca o telefone. É meu irmão, que diz:
- 'Desde que nossos pais morreram, tu não fazes outra coisa que não seja entupires-te de drogas e vagabundeares os dias inteiros! Procura um emprego, arranja algum trabalho!'
Que merda, descubro que também sou desempregado!!!
Tento explicar ao meu irmão que é difícil encontrar trabalho quando se é vesgo, italiano, deficiente físico, maricas, viciado, talvez seropositivo, careca e órfão, mas não consigo, porque....
Porque sou gago!!!!
Transtornado, desligo o telefone, com a única mão que tenho, e com lágrimas nos olhos, vou até a janela olhar a paisagem. Milhões de barracas ao meu redor...
Sinto uma punhalada no pace-maker: além de vesgo, italiano, deficiente físico, maricas, viciado, talvez seropositivo, careca, órfão, gago, desempregado, maneta e cardíaco, vivo também numa barraca...
Começo a ficar indisposto e a sentir um calafrio dirijo-me ao guarda-fato para apanhar um casaco, e para minha surpresa, quando abro a gaveta encontro uma camisa do...Sport Lisboa e Benfica.
Aí já é sacanagem...
Entro em desespero, pois além de vesgo, italiano, deficiente físico, maricas, viciado, talvez seropositivo, careca, órfão, gago, desempregado, maneta, cardíaco, vivo também numa barraca... e... Sou adepto do Benfica?
Puta que pariu!!!!
Nesse momento, o meu namorado regressa e diz:

- "Amooooooor ! vamos, senão chegaremos atrasados ao Conselho Nacional do Partido Socialista".


Desmaiei.....

sábado, 24 de abril de 2010

Perdoai-nos senhor

A traição é, provavelmente, um dos grandes dramas dos relacionamentos. Além de enfeitar, de forma mais ou menos bucólica, o frontispício de cada um, serve também como musa para diversas modalidades artísticas, todas elas ao melhor estilo da “dor de cotovelo”.

Segundo os estudiosos, a infidelidade conjugal pode ser classificada segundo três tipos:

- a traição como afirmação da feminilidade ou da masculinidade. Creio que será o caso dos traidores compulsivos que a todo o momento conquistam e descartam.

- a traição como desejo de novidade para vencer o tédio do casamento. Quanto a este campo, acrescento que já ouvi dizer que “Novidades só no Continente”, por isso o resto do território está livre de perigo.

- a traição como insatisfação afectiva. A senhora D. Madame Bovary do Flaubert já devia sofrer deste síndroma porque andava lá às voltas com uma tal duma insatisfação, que a compelia na busca de um amor romântico que não existia em parte nenhuma. Mas a senhora D. Madame era uma mulher de garra e não desistia de encontrar o seu gral.

Diz-se também por aí que se uma mulher quiser, será muito difícil a um homem resistir-lhe. Será? Acho esta afirmação demasiado forte, porque me parece que um homem não é apenas um pénis, ainda que essa parte anatómica ocupe demasiado espaço nas ligações sinápticas do seu cérebro.

De qualquer maneira, a traição é sempre deflagradora de sentimentos desagradáveis. Tiro o chapéu a quem consegue fazer deste amargo de boca, um limão e do limão uma limonada e depois engoli-la com muito gelo e açúcar.

Momentos

A vida é feita de momentos, alguns guardamo-los toda uma vida. Há também outros de parca importância que rapidamente passam a murmúrios no nosso cérebro e desaparecem.

Um momento marcou a minha tarde e acabo de me aperceber que me tem ensombrado o espírito durante as últimas horas.

Algumas palavras trocadas num chat na internet geraram a confusão. É curioso como a palavra escrita pode ser poderosa e facilmente assumida, verosímil, e outras vezes tão frágil e desprovida de força. Reagimos às palavras, interpretamo-las de forma inconsciente até formarem alguma sequência de sentidos que facilmente imaginamos serem proferidos pelo nosso interlocutor. Algumas são banais e tão pouco nos afectam que rapidamente as esquecemos. Outras tocam-nos profundamente e gravamo-las religiosamente no nosso ser para delas nos voltarmos a servir. E voltamos a ouvi-las na nossa cabeça como se tivessem sido proferidas há instantes.

As palavras, que hoje proferi, transformaram-se pela rede, tendo afectado o meu interlocutor de uma forma que não era intencional. O mal entendido ficou esclarecido, mas as sensações, inconscientemente e involuntariamente provocadas, ficaram. Não há forma de apagar esses momentos, por muito breves que tenham sido e por muito bem esclarecida que tenha sido a situação.

Tratou-se apenas de uma confusão mas tal desencontro provocou sensações contraditórias, mesmo que durante alguns instantes apenas.

Outros momentos colocarão este em algum recôndito e obscuro lugar do nosso cérebro.

Mudanças

Seguramente que os que me visitam já não estranham as modificações a que este blogue está sujeito. Muda de roupa e de nome consoante a música dos meus passos que, neste momento, andam incertos por aí. Andarão, também, por aqui, outros passos que não os meus, mas que a mim (a nós) me (nos) acompanharão nesta caminhada momentânea que é a vida.
Novos momentos se avizinham, os momentos do LIPES.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Há gostos para tudo


Corria o ano de 1982, quando, devido ao trabalho dos meus pais, tivemos de mudar do Carregado para a Curia.

Quis o destino que eles alugassem casa aos que, posteriormente, viriam a ser os meus sogros. Estão a ver a festa, no andar de cima morava o que, mais tarde, iria ser o meu mais que tudo. No andar de baixo, morava a que, mais tarde, iria ser o mais que tudo dele. Mas este texto não reza sobre essa história, que deixarei para outra altura.

Os meus pais são originários do sul de Portugal, um do Algarve e outro do Alentejo, como tal têm alguns costumes diferentes dos da gente daqui, os bairradinos.

Nesta zona os caracóis abundavam porque apenas serviam de bucólico enfeite para as couves e demais seres amantes da fotossíntese. Um dia, depois de uma copiosa chuvada outonal, os ditos resolveram fazer uma maratona pela estrada fora. Eu e os meus pais, fanáticos e ambiciosos recolectores dessa espécie, metemos mãos à obra e apanhamos umas valentes sacadas. Depois da devida depuração, a minha mãe preparou o pitéu, montamos a mesa na pátio e fizemos um festim que até “mandava ventarolas”. Nesse entretanto, chegaram umas visitas para o andar de cima que, de soslaio, nos olharam muito espantadas. No dia seguinte corria pela aldeia inteira que os novos habitantes deviam ser muito pobrezinhos porque até caracóis comiam.

De uma outra vez, a propósito de um arranjo num armário da cozinha, mandou-se chamar um carpinteiro. Calhou chegar o profissional quando a minha mãe, diligentemente, preparava umas migas à moda do Alentejo. Pergunta ele:
- Vizinha, está a fazer comidinha para os cães?
- Estou, vizinho -responde ela, sorrindo.
-Os seus cães são uns sortudos – acrescenta ele – é que essa comidinha cheira mesmo bem!