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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Eu, ela e nós.

Janeiro, segunda-feira, sol aqui, chuva lá.

Saímos juntas, dia igual a outro, escola para mim, escola para ela. Não a mesma, mas outra. Melhor. Num sitio diferente.

Passava das dez, pouco, e ele esperava-nos. Eu, ela e ele, juntos. Tão juntos. O Convento, tão nosso e de Mafra, revisitando-nos.

A Ericeira dos reis, à uma, deu almoço às duas. Na tarde de chuva, o palácio da rainha, resguardou as queijadas de Sintra.

E eu e ela e o Convento e a Ericeira dos reis e o palácio da rainha fomos tão felizes naquela dia de chuva lá e de sol aqui.

E, afinal, lá, não choveu, nem cá!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu, em tempos dinossáuricos...



Nesta foto e segundo a senhora minha mãe porque eu, por mais voltas que dê à alembradura não me consigo recordar, andaria pela singela idade de 18 meses.
A minha mãe - senhora de farta cabeleira - sofria, ora silenciosa, ora não, mas sempre desesperadamente, pelo facto de o seu riquinho e único bebé sofrer de um mal de difícil ou mesmo nula resolução, comummente chamado despovoamento capilar.
Eu, desconhecedora do porvir (e da melena subsequente) entretinha-me, despercebidamente, a dar cabo do pato de borracha, mientras miraba con mirada de ángel a mi madre.
Não sei se a ideia foi minha ou da minha excelsa madre, mas, como podeis reparar, trajava já um vestidinho de folhos, quizás uma antecipação convicta do meu futuro profissional de sevillana ferrenha.
Hasta siempre, guapos!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

De outros tempos I






Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e, obviamente, as publicidades.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A minha avó num tubo de creme


A minha avó nasceu 11 anos antes da criação deste creme. Apesar disso, este creme não seria a mesma coisa sem a minha avó dentro dele.

Recentemente a marca voltou a relançar o produto e eu comprei-o porque me lembrava ela. Desde então, os três cumprimos juntos um ritual meticuloso: eu esfrego-o em mim, ele cheira-me a ela e ela sorri-me.

E por momentos somos imensamente felizes.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Nice to meet you

Imagem retirada da net / Música: Nice to meet you by Yanni

Sonhei-te quando ainda não te sabia. Fui as cordas do teu violino, vibrando de prazer ao teu toque. Fui uma escala musical e soubeste-me de cor. Fui a rosa que prendeste no cabelo e de onde aspiraste o delicado perfume. Fui o espartilho que te envolveu a pele e comandou o percurso dos teus seios.

Hoje, sou todas as lembranças que ainda não tive de ti.

Muito prazer em conhecer-te, miúda.




NOTA: o blogue termina, propositadamente, com esta publicação. Foi um prazer conhecer-vos e partilhar convosco tantos pedacinhos de mim.

sábado, 10 de julho de 2010

Dançamos?

Imagem retirada da net


Abre-se a porta. Baila no ar uma música suave. Um perfume almiscarado desperta-me para a sua presença. Recostada nas almofadas do leito, ela abre, lentamente, os olhos. Observa-me. Observo-a. O parco e diáfano tecido das suas vestes, revela-lhe as formas perfeitas e a pele leitosa. Passo pela jarra e colho uma rosa branca. Aproximo-me. Olho-a nos olhos e percorro-lhe os finos traços com a flor. Prende-a com a boca. Ri-se e sacode os longos cabelos negros, naquele gesto já tão habitual. Cresço por dentro. Estende-me as mãos. Estendo-lhe as mãos. Enlaço-lhe a cintura e aperto o seu corpo contra o meu. Danças comigo? - pergunto-lhe, sussuradamente. Ela suspira e acompanha-me na dança. A excitação do momento conduz-nos os lábios, que húmidos, trilham nos corpos estradas de nós e cresce-nos um fogo que se espalha por todo o quarto.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Não mais voltarei a amar

Foto retirada da net

Olhou-se de cima a baixo. Reviveu o seu corpo, outrora delineado e perfeito. Observou as suas mãos, antes, de dedos longos e finos e agora, deformadas e manchadas pela idade. Esboçou um esgar que lhe avivou ainda mais as rugas e naquele dia jurou matar o desejo que ainda vivia dentro de si.

Também já não importa, tive o meu tempo – pensou.

Como se fora um álbum, recordou as fotos das emoções bonitas que vivera. A vida correra-lhe a gosto. Amei e amaram-me muito. Não preciso de mais – constatou.

Mas porquê esta luxúria oculta que teima em subir por mim e se abriga, ainda, neste corpo gasto. Porquê esta vontade de vida? – perguntou-se.

Às vezes, nas noites mais solitárias, imaginava um roçar breve no pescoço, uma carícia ousada nas virilhas, um corpo quente junto a si e desejava que um homem lhe desbravasse as montanhas, secasse os rios, abrisse os mares e navegasse com ela.

Os homens da minha idade não são bons marinheiros e os que restam procuram sereias. Não mais voltarei a amar – decidiu, peremptória.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Adeus


Enquanto esperava por Baltasar, Blimunda mantinha um blogue. Um blogue feito de pedacinhos. Pedacinhos de humor, pedacinhos de dúvida, pedacinhos de amizade, pedacinhos de tempo, pedacinhos de vida.

No blogue da Blimunda intuíram-se caracteres, revelaram-se temperamentos, desconhecidos tornaram-se amigos e estabeleceram-se cumplicidades.

Um dia, Blimunda cansou-se da espera e do blogue. Levando nos olhos a verdade e a essência das coisas, entrou na passarola e percorreu os céus, procurando Baltasar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Viver despenteada

Decidi aproveitar a vida com mais intensidade...
O mundo é louco, definitivamente louco...
O que é bom, engorda. O que é lindo, custa caro.
O sol que ilumina o rosto, enruga.
E o que é realmente bom nesta vida, despenteia...

Fazer amor - despenteia
Nadar - despenteia
Pular - despenteia.
Tirar a roupa - despenteia.
Brincar - despenteia.
Dançar - despenteia.
Dormir - despenteia.
Beijar com ardor - despenteia.

É a lei da vida: Vai estar sempre mais despenteada a mulher que decide
andar na montanha russa, que aquela que decide não subir.
Por isso, a minha recomendação a todas as mulheres: entrega-te, come
coisas gostosas, beija, abraça, dança, apaixona-te, relaxa, viaja,
salta, dorme tarde, acorda cedo, corre, voa, canta, arranja-te para
ficares linda, arranja-te para ficares confortável, admira a paisagem,
aproveita, e acima de tudo: deixa a vida despentear-te!!!!

O pior que pode acontecer é que precises de te pentear de novo...



Nota: tenho cá uma certa impressão que corrigir exames nacionais também despenteia. Deve ser de tanta vez pôr as mãos à cabeça!!

Recebido via email.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Chocante

Uma das maiores empresas de marketing do mundo, resolveu passar uma mensagem para todos, através de um vídeo criado pela TAC (Transport Accident Commission) e que teve um efeito drástico na Inglaterra.

Depois desta mensagem, 40% da população da Inglaterra, deixou de usar drogas e de consumir álcool pelo menos nas datas comemorativas. Nós ainda não temos este tipo de iniciativa aqui em Portugal, mas temos os mesmos assassinos à solta.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Para terminar



Caríssimo Carapau


Foram sete meses certinhos, sem (literalmente) tirar nem pôr. Vim de lá de todas as cores e com mais do dobro do tamanho. Por todo o lado para onde me virava, havia sempre algo que me impedia o alívio. Não querendo incumprir o estabelecido e correr o risco de ser comparada ao povo Camussumbe, até consultei um afamado médico, procurando uma solução para o meu problema.
Depois de muita investigação, disse-me que nada podia fazer por mim. Ainda se fosse uma doênça na bichiga... mas não era e ele, essas partes do corpo não tratava.
Se algum dia fores a África, não hesites em consultar o afamado cientista.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mas afinal onde é que se pode?



Se não se pode na praia, se não se pode no mato, se não se pode na casa de banho, AFINAL ONDE É QUE SE PODE?


NOTA: Abrir a foto para ler melhor o que está escrito no cartão. Na foto está o maridinho que, numa pose sofredora, reza aos anjinhos por uma luz (ou será por um penico?).

domingo, 30 de maio de 2010

Proibido "arriar o calhau"


Nas minhas primeiras andanças por terras africanas, espantou-me o teor de certas tabuletas que avisavam, de forma mais ou menos escatológica, os locais certos ou proibidos para o povo se aliviar.


Ainda que devidamente avisados, com placares afixados em árvores, paredes, postes e outros sítios bem visíveis, parece que o pessoal continuava a prevaricar, obrigando os donos de alguns terrenos, que não gostam deste adubo ecológico, a optar por métodos mais dissuasores.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

Acerca da diferença

Vi num blogue de uma mãe de um filho deficiente, do qual não revelo o link por não querer causar quaisquer constrangimentos, a seguinte frase:

“o meu filho é a melhor coisa que me aconteceu e, se me dessem a escolher, não quereria ter outro”, referindo-se ao seu filho portador do síndroma de asperger, um dos muitos géneros de autismo.

Já eu, mais inconformada, não vejo as coisas dessa maneira. No meu ponto de vista, a chegada de uma criança deficiente é sempre uma experiência traumática, susceptível de alterar o estado emocional dos membros da família. Num primeiro momento, a família vivencia um estado de perda ou “morte”, já que a expectativa do nascimento do bebé idealizado é desmanchada pelo encontro com o bebé real. Esse momento é recheado por sentimentos de tristeza, decepção, inferioridade e revolta, levando a família a uma incompreensão da situação vivida.

A partir daí torna-se necessário, para que se possa aceitar o filho real, viver o processo de luto por aquele filho “perdido”. Dependendo de cada um, das suas próprias contingências individuais e familiares, este estado pode estender-se por muito tempo. Quando, por fim, se aceita o inevitável, a família é lançada para um mundo de incertezas e inseguranças. Depara-se com o impacto da rejeição das pessoas com relação à deficiência do seu filho e sofre com a curiosidade manifestada pelos olhares, comentários e atitudes, apercebendo-se que a sociedade não aceita e não oferece espaço ao diferente. Vivencia a culpa por ter gerado uma criança deficiente e também pelos sentimentos e atitudes de rejeição para com esse filho.

Embora a família procure apoio nos profissionais de saúde, muitas vezes não recebe as informações necessárias acerca da deficiência do seu filho, pois nem sempre é possível determinar a causa exacta. Não as recebendo, instala-se um ainda maior sentimento de descrença, frustração e impotência.

Ainda voltando à citação da mãe que refiro no inicio do texto, se há aspectos positivos na situação, eu não os consigo ver. Não trocaria o meu filho, porque é meu, faz parte de mim e gosto dele. Mas, contrariamente à outra mãe, não foi a melhor coisa que me aconteceu e, se me dessem a escolher, querê-lo-ia, sim a ele, mas, pelo bem de todos, de uma outra maneira.

sábado, 22 de maio de 2010

«Deus quer, o homem sonha, a obra nasce»

Há três espécies de gente: os que apenas sonham, os que concretizam o que sonham e os Velhos do Restelo. Admiro os que, para além de sonhar, materializam os seus propósitos, por mais megalómanos que sejam.

Neste momento, tenho um amigo a percorrer África, de bicicleta. O seu sonho é fazer os cerca de 6000 km que distam entre Luanda – Maputo. Como companhia leva apenas a sua dose de loucura, um ipod, uma máquina fotográfica, 25 kg de artigos de primeira necessidade e, claro, a bicicleta.

Num excelente blogue, que vai actualizando à medida que lhe é possível, relata, na primeira pessoa, as suas peripécias. Além de uma África real, bem documentada por fotos e palavras, podemos ver, acima de tudo, o espírito de um empreendedor. Estivéssemos nós no tempo dos Descobrimentos e ele seria, seguramente, o capitão da primeira caravela!
Deixo o link do blogue em questão (Luanda-Maputo by bicycle). Devido à sequência cronológica, os primeiros textos a ler deverão ser os mais antigos.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

I like the way you move




Esta senhora, apesar de ser já SEMINOVA, move-se com tal elegância, graça e ligeireza que me ponho a pensar como seria ela quando era MESMONOVA.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Beijos, avó


Foi, paulatinamente, recuando no tempo e deixando de conhecer as pessoas que amava. Antes de se recolher a um estado quase vegetal, contou-me, como se o fizesse a uma amiga adolescente, a história de um rapaz com quem mantinha um incipiente namoro. Obrigando-me a jurar que mantinha o segredo, confidenciou-me que se encontravam na fonte e que já o tinha beijado. Inventou-me um nome e disse-me adeus. Chamei-a pelo seu e disse-lhe também adeus. Despedimo-nos para sempre. Ela da amiga, eu da avó que tinha já sem ter.

Lembro-me dela, aliás, lembro-me muito dela. Chamava-se Joaquina e contava-me histórias que tinha aprendido de cor. Jogava comigo às cartas e fazia batota. Pela manhã iniciava um ritual a que eu assistia deliciada. Começava por lavar a cara com muita água e sabão, penteava os longos cabelos e humedecia-os com um pouco de “Restaurador Olex”, embranquecia os dentes com casca de pêra, gorgolejava um pouco de aguardente para afastar o mau hálito matinal e, como remate final da toilete, esfregava meticulosamente a cara com creme “Benamor”.

Filha de um professor, era a única dos sete irmãos que não sabia ler. Na idade em que deveria ter começado a aprendizagem, calhou-lhe na rifa a tarefa de ir ajudar uma tia a cuidar dos filhos gémeos. Quando regressou, achou-se demasiado adulta para começar e dedicou-se a aprender os lavores próprios da classe feminina. Ao longo da vida, nunca se perdoou por essa opção.
Era uma mulher expedita, rápida nas contas e com bom olho para o negócio. Um dia, notando-lhe algum desassossego de alma, perguntei:

- Avó, gosta de morar aqui?
- Esta herdade é grande, mas eu sou maior do que ela - respondeu-me.

Espero que haja muito vento no céu, para que a sua nuvem viaje muito.

Beijos, avó.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ad eternum

Invariavelmente, os meus pais e eu, passávamos cerca de um mês por ano nas casas dos meus avôs paternos e maternos. Ambos, nessa fase da sua vida, viviam em montes alentejanos à lonjura de 4 km de quaisquer outras almas viventes da minha faixa etária.

No mês anterior à fatídica ida, esperava a chegada da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e escolhia criteriosamente seis livros - o máximo permitido - pelo peso. (Ainda hoje, e devido ao actual astronómico preço dos livros, um dos critérios que sigo é esse). Disciplinadamente, obrigava-me a adiar a leitura até estar instalada na casa dos avós.

Ainda que tentasse ler devagarinho, quase sempre a leitura acabava na segunda semana. Depois começava o suplício.

Nenhum dos meus avós tinha luz eléctrica, embora ambos tivessem televisão. No entanto, a caixinha mágica, por funcionar a bateria, e por as baterias serem de consumo rápido e de difícil transporte, era um bem que apenas servia para ver o telejornal, programa que pouco ou nada me interessava.

Nos dias depois dos livros, as horas corriam sempre demasiado devagarinho. Procurava dribla-las apanhando malmequeres; comendo romãs e, simultaneamente, fazendo apostas comigo mesma sobre a inevitabilidade de deixar, ou não, cair os bagos; procurando nos céus seres alienígenas e no desenho das nuvens as figuras mitológicas que conhecia. E durante todo o tempo do tempo, imaginava a diferença entre ter ou não ter um irmão. E o tempo, rindo-se de mim, tardava ainda mais as suas lides.

Depois do tempo dos livros, o Alentejo convertia-se em desassossego, em solidão, em saudade dos amigos, em desespero por voltar à civilização. Detestava-o.

Hoje continuo a detestá-lo, mas gosto de pensar que há aspectos, coisas na vida, que nos pontapeiam uma ou duas vezes e que nos acompanham ad aeternum. Assim posso dizer que tenho um trauma de infância que me faz detestar a minha terra. Já não parece tão mal e, além disso, os traumas estão na moda.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vacances

Vou de vacances do blogue por uns dias porque valores mais altos se alevantam. O Lipes prometeu que me ficava a tomar conta do gato, do cão e do piriquito, mas não contem muito com isso porque ele é assim um bocado pró ocupadito (leia-se preguiçoso) e as promessas leva-as o vento, com uma pinta desgraçada.

Quando chegar, espero ainda ter gato, cão e demais criação. Espero também ter ainda o sofazito para recuperar da viagem.

Inté

domingo, 2 de maio de 2010

Impressões sofarianas

Ai se não tivesse prometido um lugar aqui no sofá para o Lipes...
Punha mais uma almofada...
Esticava mais as pernas...
Batia uma sorna com mais estilo, mas não vá ele chegar e apanhar-me a roncar...
Afinal o Lipes fica com o lugar para quê?
Nunca se senta...
Será que sou demasiado espaçosa?

Vou pôr uma almofada no lugar dele... sempre dá para pôr os pés... se ele chegar de repente dou-lhe um pontapé (à almofada, claro) e finjo que não é nada comigo.